Manifestantes rejeitam oferta de reformas de rei do Marrocos

Monarca havia proposto reduzir suas atribuições dando mais poder a primeiro-ministro eleito por voto popular e a Parlamento

AFP |

O movimento opositor, que desde fevereiro reivindica mudanças políticas profundas no Marrocos, convocou seus seguidores a manifestar-se pacificamente neste domingo ao considerar insuficientes as reformas constitucionais anunciadas pelo rei Mohamed 6ª na véspera.

Em discurso à nação, o rei apresentou na sexta-feira seu projeto de reformas constitucionais, prometido em março, e que será submetido à votação em referendo em 1º de julho. "O projeto não responde a nossas reivindicações de uma verdadeira separação de poderes. Protestaremos domingo pacificamente", declarou Najib Chaouki, um dos membros da seção de Rabat do Movimento 20 de Fevereiro, um grupo de jovens que pede monarquia parlamentar desde fevereiro na esteira da Primavera Árabe .

AP
Marroquinos assistem a discurso ao vivo do Rei Mohammed 6º em um café em Casablanca, Marrocos (17/06)
Estão previstas manifestações em Rabat, Casablanca, Tanger (norte), Marrakesch (sul) e Fez (centro), informa a página internet do Movimento que conta mais de 60 mil membros. O rei Mohammed 6º divulgou na sexta-feira, em mensagem à nação, as bases da futura reforma constitucional no Marrocos visando a "consolidar os pilares de uma monarquia constitucional, democrática, parlamentar e social".

Se o projeto for aprovado no referendo de 1º de julho, o primeiro-ministro, que passará a se chamar "chefe de governo" e ficará responsável pelo Executivo, "será designado no partido que vencer as eleições para a Câmara de Representantes" do Parlamento marroquino, declarou o rei. A medida significa que o governo será eleito por "sufrágio universal direto", destacou.

Até agora, o rei do Marrocos podia escolher o primeiro-ministro de sua conveniência. O rei continuará sendo o chefe do Exército e manterá o poder de credenciar embaixadores e diplomatas. O novo chefe de governo terá, a partir de então, "o poder de dissolver a Câmara de Representantes", indicou Mohammed 6º.

Na Constituição atual, a dissolução das duas Câmaras parlamentares é uma prerrogativa real. Junto ao árabe, no preâmbulo da nova Constituição, será reconhecida como oficial a língua berbere. A maior parte da população marroquina se expressa em um dos três dialetos dessa língua.

Segundo o novo texto, a figura do rei é inviolável e respeitada enquanto "líder dos fiéis e chefe do Estado" e, por isso, continuará sendo a única autoridade religiosa em seu país. A nova Constituição, segundo o monarca, "garantirá a liberdade de culto", embora o Islã continue sendo a religião do Estado.

O monarca também anunciou que o poder judiciário será "independente em relação aos poderes Executivo e Legislativo, o que conforta a independência da justiça da qual somos fiadores".

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