Manifestantes pró e contra governo entram em choque no Iêmen

País tem o sétimo dia consecutivo de protestos contra o presidente Ali Abdullah Saleh; confrontos deixam ao menos um morto

iG São Paulo |

Reuters
Partidários do governo (na foto, o grupo mais acima) e opositores entram em confronto em Sanaa, no Iêmen
Milhares de manifestantes marcharam pelas ruas de Sanaa, capital do Iêmen, nesta quinta-feira, no sétimo dia consecutivos de protestos contra o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Eles entraram em confronto com partidários do governo e com policiais que buscavam dispersar a manifestação. Violentos confrontos entre manifestantes e partidários do governo deixaram ao menos 1 morto e 40 feridos no Iêmen nesta quinta-feira.

Um manifestante foi morto por "tiros disparados aleatoriamente" quando a polícia tentava dispersar uma multidão que protestava no sul do Iêmen, disse uma autoridade local de Áden. O choque começou em Sanaa, capital do país, depois que cerca de 800 simpatizantes do governo armados com punhais e cassetetes entraram em confronto com aproximadamente 1,5 mil manifestantes, que responderam com pedradas.

Os protestos, inspirados nas recentes revoluções da Tunísia e do Egito, são mais um problema para Saleh, um aliado dos EUA que enfrenta também a atividade da Al-Qaeda e rebeliões no norte e no sul do país, um dos mais pobres do mundo árabe.

Na opinião de Khaled Fattah, acadêmico especializado em Iêmen na Universidade Saint Andrews, da Escócia, Saleh tem menos chances de ter o mesmo destino do egípcio Hosni Mubarak, deposto após 18 dias de protestos, porque no Iêmen a autoridade é mais fragmentada, e não existe uma classe média forte como no Egito.

"A continuidade dos protestos, no entanto, pode pressionar o governo de Saleh a oferecer mais concessões políticas ao movimento (separatista) do sul. Tais concessões poderiam levar à adoção de um sistema federal", acrescentou Fattah.

Saleh já fez algumas concessões, como a promessa de deixar o poder em 2013 e não transferi-lo ao seu filho. Partidos de oposição aceitaram uma oferta de diálogo com o governo, mas manifestações espontâneas continuam ocorrendo - embora já não mais atraindo dezenas de milhares de pessoas.

Os novos protestos vêm sendo convocados apenas por mensagens de celular e pelo Facebook, sem envolvimento dos partidos políticos. Grupos pró-governo também se mobilizam para conter as manifestações, às vezes com violência.

Na quarta-feira, um manifestante foi morto na cidade portuária de Áden (sul), quando a polícia fez disparos para conter os manifestantes. Foi a primeira morte desde o início da onda de protestos.

Saleh, que tem visitado províncias do país diariamente para tentar reforçar sua base de apoio, disse nesta quinta-feira que formará uma comissão para investigar os incidentes em Áden.

Em Sanaa, partidários de Saleh acampam há uma semana na praça Tahrir, a principal da cidade - e homônima do epicentro dos protestos no Egito -, para evitar que ela seja ocupada por manifestantes.

Mas em Taiz, ao sul de Sanaa, os manifestantes antigoverno ocuparam a praça principal dias atrás. Milhares de pessoas chegam a se concentrar ali durante as noites, e o número diminui ao alvorecer.

Com AP e Reuters

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