Manifestantes pedem zona de exclusão aérea na Síria

Confrontos desta sexta-feira deixaram pelo menos 30 mortos, entre eles um homem de 80 anos e uma criança

iG São Paulo |

Pelo menos 30 manifestantes foram mortos em confrontos durante os protestos desta sexta-feira que pedem a deposição do regime de Bashar al-Assad, cuja família governa o país há mais de 40 anos. A maior parte das mortes aconteceu em Homs e Hama e, de acordo com a BBC, os manifestantes clamaram pela imposição de uma zona de exclusão aérea.

Reuters
Manifestantes protestam contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, adepois das orações de sexta, em Hajar Al Aswad, Damasco

Apesar da ameaça de violência, pelo menos 170 manifestantes foram às ruas de Hama na sexta, que se tornou um tradicional dia de protestos no país. Segundo a ONU, pelo menos 3 mil foram mortos desde o começo das revoltas em março .

Ativistas afirmam que entre as vítimas fatais nesta sexta estavam um homem de 80 anos, morto em Homs, e um menino, morto perto de Deraa, no sul. De acordo com a TV estatal, no entanto, as "gangues armadas" teriam atacado a principal delegacia em Homs e atiradores teriam matado o garoto e o idoso.

A emissora controlada pelo regime de Assad afirma que as forças de segurança detiveram um número considerável de homens armados e apreenderam suas armas e munições.

De acordo com a Associated Press, a maior parte das mortes aconteceram após o fim dos protestos, quando as forças da segurança perseguiram os participantes e ativistas. Em Hama, houve conflitos entre o Exército e homens armados - provavelmente desertores das forças militares.

Manifestantes pediram por proteção internacional da Otan, cujos ataques aéreos foram decisivos na deposição do regime da Líbia e na morte de Muamar Kadafi na semana passada. "Deus, Síria, nós queremos uma zona de exclusão aérea aqui", gritavam manifestantes em Bab Tadmur, bairro de Homs, enquanto outros carregavam cartazes pedindo por proteção internacional.

No bairro de Balaa, cerca de 20 mil marcharam pedindo o fim do regime de Assad, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Dezenas também protestaram no bairro Barzeh, em Damasco, de acordo com a organização. O OSDH acrescentou que 40 foram presos.

A Síria impede a entrada no país de jornalistas estrangeiros, tornando difícil a confirmação dos acontecimentos em seu território. A maior parte das fontes são ativistas ou vídeos amadores postados nas redes sociais. A internet e os meios de comunicação foram interrompidos em partes de Damasco nesta sexta, assim como em Homs.

"Houve uma forte reação aos protestos em Homs nesta sexta", disse um ativista da OSDH, Mustafa Osso. As forças sírias abriram fogo contra cerca de 2 mil manifestantes reunidos no local, disse. "Também há muitos feridos. Hospitais estão tendo dificuldades em conseguir atender tanta gente."

É difícil de medir a força da revolta da Síria, país com 22 milhões de habitantes. Os embates da polícia não aparentam ter diminuído os protestos, mas o regime também não parece enfrentar uma crise ou estar a beira de um colapso.

Acredita-se que a recente morte de Kadafi tenha reacendido os ânimos da oposição , que formam a onda revoltosa que varreu o Oriente Médio e o norte da África, cunhada pelo termo de Primavera Árabe . Na semana passada, logo após a morte do ex-líder líbio, sírios tomaram as ruas dizendo que Assad seria o próximo.

Os protestos ocorrem concomitantemente aos esforços da Liga Árabe para colocar fim ao derramamento de sangue, e debates entre a oposição sobre como trazer a comunidade internacional para interferir contra o regime.

Com AP

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