Manifestantes ocupam a Praça Tahrir no 16º dia de protestos

Após megaprotesto na terça-feira, egípcios pedem que população "não se canse" e continue pressão por renúncia de Mubarak

iG São Paulo |

Centenas de egípcios passaram a noite na praça Tahrir e retomaram os protestos na manhã desta quarta-feira, o 16º dia de manifestações pela renúncia do presidente Hosni Mubarak.

"Não se cansem, não se cansem, a liberdade ainda não foi alcançada", gritava um militante no centro da praça. Duas crianças de sete e oito anos andavam em meio aos manifestantes com cartazes que diziam "Mubarak mata o povo".

AP
Manifestantes acampam perto de tanques do Exército na praça Tahrir, centro do Cairo

Um dos manifestantes, o jurista Essam Magdi, se mostrou indiferente quanto às comissões criadas na terça-feira pelo governo para reformar a Constituição. "Não podem ocorrer negociações enquanto Mubarak não for embora. Quando ele cair, poderemos falar de muitas coisas", afirmou.

"Não queremos um Estado militar, nem um Estado religioso. O que queremos é um Estado baseado em instituições e em eleições", disse Atif Awad, um carpinteiro de 34 anos e integrante da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição no Egito.

Há mais de duas semanas o Egito vive uma onda de grandes protestos populares contra o governo de Mubarak, no poder há 30 anos. As manifestações desta terça-feira na praça Tahrir, no centro do Cairo, foram uma das maiores desde o início da crise.

Tentativas do Exército de checar a identidade das pessoas que entravam no local foram abandonadas devido ao tamanho da multidão, que participa do 15º dia seguido de manifestações. Grandes protestos também aconteceram nas cidades de Alexandria e Almançora, no norte do país.

O executivo do Google e ativista egípcio Wael Ghonim, que foi libertado na segunda-feira após 12 dias detido, foi festejado pela multidão ao entrar na praça Tahrir. Ele teria sido um dos responsáveis pela abertura de um grupo no site de relacionamentos sociais Facebook que teria sido usado para convocar as primeiras manifestações contra Mubarak, inspiradas nos protestos populares que levaram à renúncia do presidente da Tunísia, duas semanas antes.

EUA

O governo dos Estados Unidos fez um apelo para que o Egito acelere o processo de reformas democráticas no país e suspenda imediatamente o estado de emergência que vigora há 30 anos. O vice-presidente americano, Joe Biden, fez o pedido durante uma conversa telefônica com o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na noite de terça-feira.

Biden também afirmou que a polícia egípcia deve parar imediatamente de prender e agredir jornalistas e ativistas, que nesta continuam na praça Tahrir nesta quarta-feira, o 16º dia de manifestações contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Durante o telefonema, Biden disse a Suleiman que a transição para um governo mais amplo deve produzir um progresso "imediato e irreversível". O vice-presidente americano telefona a Suleiman quase diariamente desde que a crise começou, em 25 de janeiro, mas o tom desta ligação foi o mais duro até agora.

Biden afirmou que o poder do Ministério do Interior deve ser contido imediatamente e que deve haver uma política clara de não retaliar contra os manifestantes. Também na terça-feira, o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs afirmou que declarações de Suleiman feitas no domingo de que o Egito ainda não está pronto para a democracia foram "particularmente de pouca ajuda".

Número de mortos

Naa terça-feira, a entidade de direitos humanos Human Rights Watch afirmou que o serviço de Saúde controlado pelo governo do Egito vem tentando ocultar o número de mortos nos conflitos registrados no país desde 25 de janeiro.

De acordo com a entidade, os choques já deixaram 297 mortos, mas os órgãos de Saúde estatais não divulgaram uma cifra oficial abrangente de mortos. A Human Rights Watch diz ter obtido essa cifra por meio de várias visitas realizadas a sete hospitais nas cidades de Cairo, Alexandria e Suez.

Segundo Heba Morayef, a pesquisadora da entidade respónsável pelo Cairo, o número de mortos deve aumentar. A Human Rights Watch afirma que muitas das pessoas que morreram foram vítimas de ações da polícia para conter os conflitos, como disparar contra a multidão ou fazer uso de balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio à queima roupa.

De acordo com Boutros, no primeiro dia de protestos, o dia 25, ''a polícia realmente protegeu os manifestantes". "Mas quando a violência eclodiu, quando edifícios e estações de polícia começaram a ser queimadas, quando saques e assassinatos começaram a ocorrer, a polícia teve de proteger, de certa forma, a si mesma contra vândalos'', disse.

Com BBC e AFP

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