Manifestantes no Iêmen exigem julgamento de Saleh

Protestos se espalham na capital e em outras 18 cidades do país rejeitando o acordo que prevê imunidade judicial para presidente

iG São Paulo |

Milhares de iemenitas participaram de protestos por todo o país nesta sexta-feira para reivindicar que o presidente Ali Abdullah Saleh enfrente um julgamento pela morte de centenas de manifestantes no levante pró-democracia que teve início há dez meses.

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Reuters
Manifestantes em Sanaa vestem bandagens nos olhos e na boca para protestar contra a tortura policial contra detidos

Saleh, que ficou no poder por 33 anos, assinou um acordo garantindo a ele imunidade judicial em troca da renúncia. No mês passado, o líder iemenita transferiu seu poder para o vice-presidente e disse que tinha intenção de ir aos Estados Unidos para tratar os ferimentos sofridos por ele ao sofrer um ataque em junho .

Muitos manifestantes deram demonstrações de repúdio ao acordo elaborado por nações árabes e apoiado pelos Estados Unidos, porque ele não inclui mudanças políticas amplas e nem permite que Saleh seja julgado.

Carregando fotos de Saleh com as palavras: "Você não vai escapar da punição", os manifestantes, que foram às ruas nessa sexta-feira, gritavam: "Juntos para alcançar os objetivos da revolução", em referência aos dez meses de revoltas, que acompanharam o movimento da região, conhecido como Primavera Árabe .

Os Estados Unidos seguem considerando o pedido feito pelo gabinete de Saleh para permitir sua entrada no país. Temeroso em ficar com a imagem de que abriga um autocrata em seu território, o governo Obama quer garantir que a visita do líder iemenita seja realizada somente por razões médicas, informaram oficiais do país.

Saleh era um aliado chave dos Estados Unidos na batalha contra a Al-Qaeda na Península Arábica, que Washington acredita ser a mais perigosa dentre os muitos tentáculos da rede terrorista.

Porém, com o aumento do número de mortos pelo massacre do governo durante o levante, os EUA decidiram unir-se à pressão para que Saleh deixasse o poder do país.

As manifestações dessa sexta-feira reivindicavam que os membros do antigo regime sejam retirados de cargos do alto escalão do governo. Além dos protestos na capital Sanaa, outras movimentações similares foram registradas em 18 outras cidades.

De acordo com a agência Reuters, que citou a agência estatal de notícias Saba, combatentes rebeldes mataram um oficial da segurança iemenita no sul do país. Ele foi enterrado na cidade de Sabr, perto dos municípios de Áden e de Taiz.

O partido Congresso Geral do Povo, de Saleh, anunciou na quinta-feira que seus simpatizantes voltariam a se manifestar na capital, Sanaa. Eles haviam parado de protestar seguindo uma iniciativa de paz promovida no Golfo destinada a retirar o Iêmen da iminência da guerra civil.

Manifestantes pró-Saleh, entretanto, reuniram-se perto do palácio presidencial na capital, com bandeiras do Iêmen e fotografias do presidente que deve, em breve, deixar o poder.

Com AP e Reuters

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