Manifestantes invadem Embaixada de Israel no Cairo

Grupo de 30 ativistas entrou no prédio e jogou páginas de documentos oficiais pela janela; protestos causam choques com a polícia

iG São Paulo |

Um grupo de cerca de 30 manifestantes egípcios invadiu a Embaixada de Israel no Cairo na noite desta sexta-feira e jogou centenas de páginas de documentos oficiais de um dos escritórios pela janela. 

Em Jerusalém, um oficial israelense confirmou a invasão, acrescentando que o grupo entrou em uma sala localizada em um dos primeiros andares. Testemunhas citadas pela agência oficial Mena disseram que os manifestantes invadiram uma sala reservada aos arquivos diplomáticos, no andar em que estão os escritórios da chancelaria

AFP
Manifestantes retiram bandeira de Israel do topo da embaixada

Um funcionário do aeroporto afirmou à AP que o embaixador israelense, Yitzhak Levanon, sua família e outros membros da instituição estavam aguardando no aeroporto de Cairo por um avião militar para deixar o país.

Segundo a agência de TV estatal, o ministro do Interior egípcio declarou estado de emergência no país depois da invasão, enquanto o primeiro-ministro Essam Sharaf convocou um gabinete para discutir a situação.

Os manifestantes puderam, pela segunda vez em um mês, alcançar o topo do prédio e arrancar a bandeira de Israel. Ativistas também entraram em choque com a polícia nos arredores da embaixada. Uma multidão também tentou atacar uma delegacia, mas foi afastada pelos agentes, que jogaram bombas de gás lacrimogênio. Carros policiais foram incendiados e destruídos.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, o número de feridos nos choques, na noite de sexta-feira, entre manifestantes e forças de segurança nos arredores da Embaixada de Israel no Cairo aumentou para 837.

Além dos feridos, uma pessoa morreu após sofrer um ataque cardíaco durante os incidentes em frente à legação diplomática, onde centenas de manifestantes continuam concentrados neste sábado em meio a um forte desdobramento de segurança, embora já não haja enfrentamentos.

EUA e Israel

O presidente dos EUA, Barack Obama, assegurou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que o seu país está agindo "em todos os níveis" para resolver a situação no Egito.

Obama também afirmou, durante uma conversa telefônica, que os EUA estavam instando o governo egípcio a honrar com suas obrigações internacionais, entre elas, de manter a embaixada de Israel em segurança.

A Casa Branca informou que Obama expressou "grande preocupação" em relação à situação na embaixada e enfatizou que os EUA estão trabalhando para chegar a uma resolução sem o uso da violência.

Os dois líderes concordaram em manter contato até que a situação se normalize.

Derrubada do muro

Mais cedo, os ativistas derrubaram parte de um muro de proteção construído recentemente pelas autoridades egípcias em torno da embaixada.

Eles  se reuniram em frente ao prédio que abriga a missão diplomática e destruíram as paredes usando martelos e tubos metálicos.

O muro, com uma altura aproximada de 2,5 metros, foi construído ao longo de uma avenida que contorna o prédio da embaixada e seus escritórios, depois de uma série de protestos por causa de atritos entre os dois países, culminando com o incidente, em agosto, no qual um manifestante escalou o edifício e retirou a bandeira israelense.

As relações entre Egito e Israel se deterioraram desde que o presidente Hosni Mubarak, aliado dos EUA, foi deposto por uma rebelião popular egípcia , em fevereiro.

No mês passado, cinco agentes das forças egípcias de segurança foram mortos numa ação militar de Israel , cujos soldados entraram no território egípcio para perseguir militantes, supostamente palestinos, que se infiltraram em Israel a partir da Península do Sinai, Egito, cometendo um ataque que matou oito israelenses .

Gritando slogans como "erga a cabeça, você é um egípcio", cerca de mil marcharam para a embaixada a partir da praça Tahrir, na capital do Egito, onde milhares protestaram, exigindo um claro cronograma para a democracia e o fim dos julgamentos para civis.

Protestos na praça Tahrir

Os líderes do levante que derrubou Mubarak qualificaram como "correção de rumos" os recentes protestos - os primeiros desde que a polícia expulsou os ativistas acampados na Praça Tahrir, em julho.

Os manifestantes estão pressionando o conselho militar no governo para acelerar as reformas e estabelecer uma data para as eleições.

AFP
Milhares de egípcios se reuniram na praça Tahrir, no Egito, para exigir reformas democráticas no país
Islamistas, incluindo o partido político criado pela Irmandade Muçulmana, - a força política melhor organizada do Egito depois da dissolução do Partido Nacional Democrático, de Mubarak, - se distanciaram dos protestos.

Os governantes militares prometeram passar o poder para um governo civil depois das eleições, que, segundo eles, serão realizadas no final de 2011. O conselho também facilitou o julgamento de Mubarak e de vários de seus assessores, incluindo o ex-ministro do Interior Habib al-Adli, por acusações de corrupção ou de conspiração para matar cerca de 850 manifestantes.

Apesar das promessas, muitos egípcios continuam céticos. "Desde 25 de janeiro até hoje não sentimos que houve mudanças", disse Kamel Ebrahim, um funcionário público de 37 anos que participou dos protestos com outros milhares de egípcios na Praça Tahrir, o epicentro do levante que derrubou Mubarak.

"Bandidos e ladrões se multiplicaram e o marechal-do-campo não fez nada para melhorar as coisas", acrescentou, referindo-se a Mohamed Hussein Tantawi, líder do conselho militar atualmente no poder.

Ativistas disseram que mais de 30 grupos e partidos políticos chegaram a um acordo sobre oito exigências, as mais importantes sendo um cronograma para a transição para um governo civil e o fim dos julgamentos de civis perante tribunais militares.

Houve protestos também em Alexandria e Suez.

* Com AP, AFP e Reuters

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