Manifestantes hasteiam bandeira rebelde em missões diplomáticas líbias

Opositores de Kadafi protestam na Turquia e na Grécia; embaixada em Brasília é ocupada por ativistas anti-Kadafi

iG São Paulo |

Manifestantes entraram nesta segunda-feira na embaixada da Líbia na Turquia e em consulado líbio na Grécia para trocar a bandeira que representa o governo do líder Muamar Kadafi pela dos rebeldes líbios, que chegaram com sua ofensiva contra o regime na capital líbia, Trípoli, no fim de semana. Em Brasília, ativistas e crianças ocuparam a representação diplomática líbia em apoio aos rebeldes. Na Embaixada da Líbia em Argel, Argélia, funcionários hastearam a bandeira rebelde.

AP
Imigrantes líbios entram pacificamente em Embaixada Líbia em Brasília, em apoio aos rebeldes opositores
Em Brasília, crianças vestindo camisas com bandeira dos rebeldes líbios e outros ativistas anti-Kadafi entraram pacificamente na Embaixada da Líbia em Brasília. O protesto pacífico e a ocupação, segundo eles, continuarão até que o líder líbio seja deposto.

Em Atenas, um grupo de 20 pessoas, que foi autorizado a entrar pelos funcionários, retirou a bandeira líbia e usou grafite nas paredes do prédio. O pátio do consulado ficou lotado de livros escritos pelo coronel Kadhafi e de documentos rasgados.

Na Turquia, opositores do regime tomaram a embaixada líbia em Ancara e tiraram a até então bandeira verde oficial para colocar a bandeira verde, preto e vermelho do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), informou a emissora turca NTV.

As ações nas missões diplomáticas foram feitas após as notícias sobre a consolidação do avanço rebelde em Trípoli da prisão dos filhos de Kadafi .

O embaixador líbio na Turquia, Ziad Adham al-Muntasser, disse à NTV que se sentia "muito feliz" pela "revolução" ter vencido. Apesar disso, os opositores interromperam a entrevista ao canal turco alegando que Muntasser é "um homem de Kadafi".

A embaixada da Líbia em Damasco anunciou nesta segunda-feira, em um comunicado, que passa para o lado dos rebeldes. "Nós, embaixadores e funcionários da embaixada da Líbia em Damasco, anunciamos nosso apoio total à revolução de 17 de fevereiro e anunciamos oficialmente que aderimos ao Conselho Nacional de Transição (CNT)", afirmou o comunicado.

"O que acontece hoje na Líbia reescreve a história pela via da revolução, executada graças ao sacrifício de jovens líbios. A história não perdoará quem não participar desse grande acontecimento único. A embaixada se compromete a ficar a serviço do povo líbio, sem exceção, e a servir seus interesses fielmente", completou o texto. 

Saques em Trípoli

Também nesta segunda-feira, o Ministério de Relações Exteriores da Argélia disse que desconhecidos lançaram ataques contra sua embaixada em Trípoli, chegando até a roubar vários veículos, de acordo com a agência de imprensa oficial APS.

O chefe da diplomacia argelina, Mourad Medelci, enviou uma carta urgente ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para "reivindicar sua atenção" para as violações do espaço diplomático argelino na noite de domingo. Medelci pediu às Nações Unidas que tomem as medidas necessárias para a proteção do pessoal diplomático assim como dos seus bens, "conforme as regras do direito internacional".

Os dirigentes rebeldes acusaram em várias ocasiões as autoridades argelinas de prestar socorro e assistência a Kadafi, especialmente no transporte de mercenários africanos em aviões militares. As autoridades argelinas rejeitaram as acusações e as qualificaram como "puras fabulações".

*Com AFP e EFE

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