Manifestantes e soldados voltam a se enfrentar no Cairo

Junta militar busca isolar ativistas os descrevendo como conspiradores e vândalos; três dias de choques deixaram dez mortos

Reuters |

A junta militar do Egito buscou isolar ativistas pró-democracia que protestam contra seu governo, descrevendo-os como conspiradores e vândalos, enquanto soldados e manifestantes entraram em confronto pelo terceiro dia seguida no Cairo.

AP
Manifestante egípcio segura no Cairo jornal com foto em que mulher é agredida durante confrontos no sábado

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Os três dias de embate deixaram um total de dez mortos e 441 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde, e revelaram as falhas no papel do Exército, que está à frente da prometida transição do governo militar ao civil. De acordo com ativistas, a maioria das mortes teve como causa disparos com munição letal.

Tropas levantaram barreiras nas ruas perto da Praça Tahrir, o centro do levante que derrubou o presidente Hosni Mubarak em fevereiro e que agora se vê tomado por violência, enquanto os manifestantes exigem que os generais que assumiram o país deixem o poder.

Os confrontos, nos quais foram lançados pedras e objetos de metal, ocorriam de ambos os lados de um muro de concreto levantado pelas forças de ordem em uma grande avenida que conduz da Praça Tahrir à sede do governo, onde começaram os choques na sexta-feira. 

Alguns manifestantes entraram no edifício do Instituto do Egito, incendiado na véspera, para pegar manuscritos, sendo que parte deles pegou fogo. O centro foi fundado em 1798 durante a expedição ao Egito de Napoleão Bonaparte, para promover a pesquisa científica.

Nesses confrontos, iniciados quando soldados tentaram pôr fim a um acampamento do lado de fora da sede do governo , os soldados vêm recorrendo a uma repressão particularmente pesada. Vídeos mostram policiais militares puxando mulheres pelos cabelos e até mesmo despindo uma manifestantes que usava véu, e enraivecidamente batendo, chutando e pisando sobre manifestantes já imobilizados no chão.

Apesar disso, o número de manifestantes estão menores do que em protestos anteriores - sugerindo que mesmo a raiva relacionada às imagens perturbadoras não atrai um público egípcio mais amplo a entrar em confronto com o Exército, que ativistas responsáveis pela queda de Mubarak há dez meses acusam de administrar mal o período de transição e de cometer abusos dos direitos humanos.

Em uma declaração divulgada no Facebook, a junta militar disse neste domingo que os confrontos fazem parte de uma "conspiração" contra o Egito. Ela afirmou que suas forças têm o direito de defender a "propriedade do grande povo do Egito".

Os choques ocorrem em pleno período eleitoral. Desde o dia 28 de novembro, o Egito realiza eleições legislativas, que, por enquanto, são dominadas pelos partidos islamitas.

*Com AP, Reuters e AFP

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