Manifestantes do Iêmen realizam seu maior protesto contra governo

Centenas de milhares lotam praça de capital e marcham em ao menos 14 províncias para exigir renúncia de presidente Saleh

iG São Paulo |

Centenas de milhares de iemenitas lotaram uma praça na capital do país e marcharam em vilas e cidades de toda a nação nesta sexta-feira, no que parecem ser as maiores manifestações em mais de um mês pela renúncia do presidente.

Muitas mesquitas na capital fecharam - uma medida sem precedentes para sexta-feira, o dia das preces muçulmanas - enquanto fiéis e clérigos se dirigiram para a praça que fica do lado de fora da Universidade de Sanaa. Os manifestantes encheram o local e se espalharam por outras três ruas adjacentes. Protestos prévios tomaram a praça e, no máximo, duas das ruas que desembocam nela.

Os manifestantes montaram tendas e seguraram pôsteres de jovens que foram mortos por disparos de forças do governo durante manifestações anteriores. A oposição disse esperar ter 1 milhão nas ruas para pressionar pela saída de Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no poder.

Saleh escalou sua confrontação contra o levante popular há uma semana, decretando uma lei de emergência que lhe dá passe livre para reprimir os protestos. O Parlamento de maioria governista aprovou um estado de emergência de 30 dias que suspende a Constituição, proíbe manifestações e concede às forças de segurança poderes quase ilimitados de prisão.

O líder iemenita foi atingido por uma onda de deserções de comandantes militares, de membros do partido governista e de outras autoridades, aumentando as forças de oposição e lhe deixando isolado.

Em uma tentativa frustrada de agradar os manifestates, ele ofereceu não concorrer à reeleição quando seu atual mandato terminar, em 2013. Ele depois ofereceu sair do poder até o fim do ano e abrir diálogo com os líderes da mobilização popular. Manifestantes rejeitaram todas as ofertas, furiosos depois de as forças de segurança terem matado a tiros mais de 40 em Sanaa no mês passado .

Nesta sexta-feira, houve protestos contra Saleh em pelo menos 14 províncias em todo o país. Testemunhas disseram que centenas de milhares participaram das marchas nas províncias de Áden,Taaz e Hadramout.

Os manifestantes acusam Saleh de mau gerenciamento, repressão e pela morte dos integrantes do seu movimento. Eles dizem que não interromperão os protestos até sua renúncia.

Em uma manifestação paralela, cerca de 10 mil partidários do governo marcharam para a Praça al-Sabaeen, do lado de fora do palácio presidencial, onde Saleh fez um discurso breve, dizendo: "Com meu sangue e alma, vou redimir vocês", um cântico comum no mundo árabe.

Ele também afirmou que sacrificará tudo pelo país, sugerindo que não tem planos de deixar o poder. "Juro que sacrificarei meu sangue e minha alma e tudo que for precioso pelo bem desse grande povo", disse a milhares de simpatizantes.

Semanas de protestos em todo o país levaram o regime de Saleh, no poder há 32 anos, à beira do colapso. Mas os Estados Unidos e a vizinha Arábia Saudita, país rico em petróleo e importante aliado financeiro, estão preocupados sobre quem sucederia Saleh num país que abriga militantes da Al-Qaeda.

*Com AP e Reuters

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