Manifestantes anti-Saleh são mortos a tiros no Iêmen

Violência acontece durante protesto contra imunidade judicial dada ao presidente do país em troca de renúncia

iG São Paulo |

Pelo menos cinco manifestantes antigoverno foram mortos nesta quinta-feira por partidários do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, de acordo com fontes médicas. As vítimas participavam de um protesto exigindo que Saleh seja levado a julgamento, um dia após o líder ter assinado um acordo segundo o qual aceita renunciar em troca de imunidade judicial .

Leia também: Presidente do Iêmen assina acordo de transferência de poder

AP
Homem ferido durante protesto é carregado por manifestantes em Sanaa, no Iêmen

Um jornalista da agência AFP afirmou que os manifestantes foram mortos a tiros por civis armados enquanto marchavam pelo centro da capital, Sanaa. Testemunhas também disseram ter visto tiros serem disparados a partir de telhados, carros e dentro de lojas.

Na quarta-feira, Saleh assinou na Arábia Saudita um acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo para transferir o poder para seu vice-presidente, Abed Rabbo Mansour Hadi, em até 30 dias. É esperado que Hadi forme um governo de unidade nacional e convoque eleições em um prazo de 90 dias.

O líder de 69 anos - que governa o Iêmen desde 1978 - enfrenta protestos por sua saída do poder desde o começo do ano, no contexto da Primavera Árabe , que provocou revoltas em países do Oriente Médio e norte da África.

Depois de assinar o acordo, Saleh afirmou que irá cooperar plenamente com o governo de unidade nacional proposto para seu país, que incluirá a oposição.

O presidente iemenita se referiu aos protestos como um "golpe" e qualificou o bombardeio contra seu palácio que o deixou seriamente ferido como "um escândalo". Em junho, Saleh sobreviveu ao ataque em Sanaa e viajou a Arábia Saudita para tratamento médico, retornando ao Iêmen em setembro .

Uma autoridade do governo iemenita disse que ainda não estava claro quais seriam os próximos passos do líder após a confirmação da assinatura. "Tudo é imprevisível com Saleh", disse à CNN, em condição de anonimato. "Pelo menos por agora, faz sentido que ele permaneça na Arábia Saudita por algum tempo."

Segundo a agência EFE, no entanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon teria conversado com Saleh ao telefone na terça-feira e o iemenita havia dito que receberá tratamento médico em um hospital de Nova York, nos EUA.

Reféns libertados

Nesta quinta-feira, uma francesa e dois iemenitas que trabalham para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foram libertados após passarem dois dias como reféns na província de Lahej, no sul do Iêmen.

A mulher, de origem marroquina, foi libertada junto com seu motorista e intérprete após uma intervenção de autoridades locais e mediadores junto aos sequestradores, que exigiam a libertação de parentes detidos na cidade portuária de Áden, perto do local do crime.

"O governador de Lahej apresentou garantias de que buscará a libertação das quatro pessoas presas em Áden, conforme exigido pelos sequestradores", disse uma autoridade local.

Em Genebra, um porta-voz do CICV confirmou a libertação e disse que os reféns estão bem. Na hora do sequestro, a francesa e seus auxiliares viajavam para distribuir alimentos e utensílios domésticos em um acampamento para refugiados internos do conflito entre militantes islamistas e tropas do governo em Abyan, outra província do sul do Iêmen.

Com AP e Reuters

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