Manifestações no Egito deixam ao menos 4 mortos e 1,5 mil feridos

Multidões realizam novos protestos nesta sexta-feira contra fracasso da polícia em evitar tragédia em estádio de futebol

iG São Paulo | 03/02/2012 05:23 - Atualizada às 16:19

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A polícia entrou em confronto em várias cidades egípcias na noite de quinta e nesta sexta-feira com milhares de manifestantes que condenam o governo liderado por uma junta militar por não ter evitado tumultos em um campo de futebol que deixaram 74 mortos na quarta-feira.

Saiba mais: Confrontos em jogo de futebol acirram tensão política no Egito

Foto: AP

Manifestantes egípcios carregam homem ferido durante confrontos com forças de segurança perto do Ministério do Interior, no Cairo (03/02)

Violência: Tragédia no futebol egípcio teve mortes por facadas e sufocamento

Os dois dias de violência deixaram ao menos quatro mortos e 1,5 mil feridos, de acordo com médicos e funcionários do setor de saúde. De acordo com a BBC e a Reuters, um manifestante e um policial foram mortos no Cairo, enquanto outras duas pessoas morreram na cidade de Suez, onde a polícia usou munição real para conter uma multidão que tentava invadir uma delegacia. Já o jornal New York Times aponta três mortes em Suez e uma no Cairo.

Manifestantes no Cairo, na cidade de Suez e em várias cidades no Delta do Nilo direcionaram sua raiva contra a junta militar que sucedeu a Hosni Mubarak, que renunciou há quase um ano em meio a um levante popular, reivindicando que abandone o poder por seu fracasso em conduzir a transição democrática egípcia.

Na capital, manifestantes com capacetes e máscaras de gás jogaram pedras contra a polícia antidistúrbio, que respondeu com gás lacrimogêneo para tentar dispersá-los nos arredores do Ministério do Interior. O episódio no estádio de futebol reforçou a sensação de que a junta militar que governo o Egito não conseguiu restaurar a ordem.

A violência de quarta-feira começou depois que torcedores invadiram o campo no fim do jogo em que o clube Masry conseguiu um rara vitória por 3 a 1 contra o al-Ahly. Os dois times têm um histórico de rivalidade, mas a violência teria se acirrado porque os policiais demoraram para conter os torcedores. Torcedores do al-Ahly, conhecidos como “ultras”, disseram que a falta de ação das forças de segurança foi uma “retaliação” pelo papel da torcida nos protestos que forçaram a queda de Mubarak.

Engajamento: Torcedores estão envolvidos em recente crise política do Egito

“Eles querem nos punir e nos executar por causa de nossa participação na revolta”, afirmou a torcida, em comunicado, pedindo “uma nova guerra em defesa da revolução”. Recentemente os torcedores fundaram o partido político Beladi, que quer dizer “meu país”, para difundir o crescente espírito de liberdade política no Egito.

Em sua página no Facebook, os torcedores lançaram ataques contra o marechal Mohamed Hussein Tantawi, chefe da junta militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak.

"Queremos sua cabeça, Tantawi, seu traidor", escreveram os torcedores. "O marechal e os remanescentes do regime nos mandam uma mensagem clara. Ou temos liberdade, ou eles nos punem e nos executam por participarmos de uma revolução contra a tirania.”

Em reação ao massacre, o primeiro-ministro egípcio, Kamal Ganzouri, assumiu na quinta-feira a responsabilidade política pelos confrontos e disse que está disposto a prestar contas se for solicitado. Autoridades graduadas na cidade de Port Said foram demitidas, enquanto a associação de futebol egípcia foi dissolvida. O governador de Port Said renunciou, enquanto o diretor de segurança da cidade e o chefe de investigações foram suspensos e estão sob custódia. Três dias de luto foram declarados no país.

<span>Manifestante egípcio levanta a bandeira nacional durante choques com a polícia perto do Ministério do Interior, no Cairo (03/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Manifestantes egípcios correm de bombas de gás durante choques no Cairo (03/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Manifestante egípcio se protege de bomba de gás lançada pelas forças de segurança no centro do Cairo (03/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Manifestantes retiram mulher sofrendo com efeitos de gás lacrimogêneo no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Manifestantes egípcios retiram homem afetado por gás lacrimogêneo lançado por policiais durante confrontos no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Manifestante egípcio se protege de gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança na praça Tahrir, no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Milhares de egípcios marcham em um protesto do clube Al-Ahly em direção ao Ministério do Interior no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Egípcios retiram arame farpado colocado pelos militares perto da Praça Tahrir, no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Membros da torcida al-Ahly, conhecidos como 'ultras', participam de protesto contra a junta miliar durante manifestação na Praça Tahrir, no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Egípcia com um simbólico tapa-olho e uma faixa em que se lê &#39;punição&#39; participa em marcha do clube de futebol Al-Ahly no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Egípcio chora durante prece do lado de fora do clube Al-Ahly no Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Manifestantes egípcios protestam contra violência contra o clube Al-Ahly ao caminhar para a Praça Tahrir, Cairo (02/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>No dia seguinte a tragédia em Port Said, manchas de sangue são vistas nas aquibancadas do estádio egípcio (02/02)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Chuteira ficou pelo meio do caminho durante a confusão (02/02)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Homem lê o alcorão ao lado de caixão de irmão, uma das vítimas da tragédia (02/02)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Jogadores correm para o vestiário após invasão do gramado (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Policiais tentam conter torcedores que invadiram o campo (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Dezenas de torcedores morreram após invasão de campo (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Invasão de campo acaba em tragédia no Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Até crianças invadiram o gramado no Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Torcedores iniciaram a invasão no campo antes mesmo do jogo acabar (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Jogadores fogem desesperadamente para o vestiário após a invasão de campo (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Pelo menos 74 pessoas morreram após confusão em estádio do Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Policiais do Egito entraram em conflito com os torcedores que invadiram o campo (01/02)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Sinalizadores são jogados no estádio durante confronto em partida de futebol entre os times Al-Ahly e Al-Masry no Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Muitas ficaram feridos após a invasão de campo no Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Policial ajuda torcedor machucado no Egito (01/02)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Após invadirem o campo, torcedores colocaram no fogo na parte superior das arquibancadas (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>A confusão começou após o fim da partida entre Al-Ahly e Al-Masry (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Jovem ferido no estádio na quarta-feira recebe atendimento na chegada ao Cairo (01/02)</span> - <strong>Foto: AFP</strong>

Com BBC e AP

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