Manifestações no Egito deixam ao menos 4 mortos e 1,5 mil feridos

Multidões realizam novos protestos nesta sexta-feira contra fracasso da polícia em evitar tragédia em estádio de futebol

iG São Paulo |

A polícia entrou em confronto em várias cidades egípcias na noite de quinta e nesta sexta-feira com milhares de manifestantes que condenam o governo liderado por uma junta militar por não ter evitado tumultos em um campo de futebol que deixaram 74 mortos na quarta-feira.

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AP
Manifestantes egípcios carregam homem ferido durante confrontos com forças de segurança perto do Ministério do Interior, no Cairo (03/02)
Violência: Tragédia no futebol egípcio teve mortes por facadas e sufocamento

Os dois dias de violência deixaram ao menos quatro mortos e 1,5 mil feridos, de acordo com médicos e funcionários do setor de saúde. De acordo com a BBC e a Reuters, um manifestante e um policial foram mortos no Cairo, enquanto outras duas pessoas morreram na cidade de Suez, onde a polícia usou munição real para conter uma multidão que tentava invadir uma delegacia. Já o jornal New York Times aponta três mortes em Suez e uma no Cairo.

Manifestantes no Cairo, na cidade de Suez e em várias cidades no Delta do Nilo direcionaram sua raiva contra a junta militar que sucedeu a Hosni Mubarak, que renunciou há quase um ano em meio a um levante popular , reivindicando que abandone o poder por seu fracasso em conduzir a transição democrática egípcia.

Na capital, manifestantes com capacetes e máscaras de gás jogaram pedras contra a polícia antidistúrbio, que respondeu com gás lacrimogêneo para tentar dispersá-los nos arredores do Ministério do Interior. O episódio no estádio de futebol reforçou a sensação de que a junta militar que governo o Egito não conseguiu restaurar a ordem.

A violência de quarta-feira começou depois que torcedores invadiram o campo no fim do jogo em que o clube Masry conseguiu um rara vitória por 3 a 1 contra o al-Ahly. Os dois times têm um histórico de rivalidade, mas a violência teria se acirrado porque os policiais demoraram para conter os torcedores. Torcedores do al-Ahly, conhecidos como “ultras” , disseram que a falta de ação das forças de segurança foi uma “retaliação” pelo papel da torcida nos protestos que forçaram a queda de Mubarak.

Engajamento: Torcedores estão envolvidos em recente crise política do Egito

“Eles querem nos punir e nos executar por causa de nossa participação na revolta”, afirmou a torcida, em comunicado, pedindo “uma nova guerra em defesa da revolução”. Recentemente os torcedores fundaram o partido político Beladi, que quer dizer “meu país”, para difundir o crescente espírito de liberdade política no Egito.

Em sua página no Facebook, os torcedores lançaram ataques contra o marechal Mohamed Hussein Tantawi, chefe da junta militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak.

"Queremos sua cabeça, Tantawi, seu traidor", escreveram os torcedores. "O marechal e os remanescentes do regime nos mandam uma mensagem clara. Ou temos liberdade, ou eles nos punem e nos executam por participarmos de uma revolução contra a tirania.”

Em reação ao massacre, o primeiro-ministro egípcio, Kamal Ganzouri, assumiu na quinta-feira a responsabilidade política pelos confrontos e disse que está disposto a prestar contas se for solicitado. Autoridades graduadas na cidade de Port Said foram demitidas, enquanto a associação de futebol egípcia foi dissolvida . O governador de Port Said renunciou, enquanto o diretor de segurança da cidade e o chefe de investigações foram suspensos e estão sob custódia. Três dias de luto foram declarados no país.

Com BBC e AP

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