Manifestações deixam mortos em cidades da Líbia

Ao menos 20 teriam morrido em choques entre opositores ao governo de Muamar Kadafi e forças de segurança

iG São Paulo |

Manifestantes pró e contra o governo de Muamar Kadafi foram às ruas da Líbia nesta quinta-feira, no segundo dia de protestos e confrontos no país. Alguns protestos resultaram em choques com a polícia e, de acordo com a Associated Press, teriam deixado ao menos 20 manifestantes opositores mortos em quatro cidades do país.

Opositores de Kadafi planejavam realizar nesta quinta-feira uma série de manifestações populares contra o governo, inspirados pelos protestos no Egito e na Tunísia. Muitos tentaram organizar os protestos através de redes sociais na internet.

Segundo opositores, havia manifestações nas cidades de Benghazi, Beyida, Zentan e na capital Trípoli. Não há números oficiais de mortos, mas segundo o site da oposição Libya Al-Youm quatro manifestantes foram mortos por forças de segurança em Beyida e que seis pessoas morreram em Benghazi.

Um dirigente da oposição afirmou que 70 foram levados ao hospital na mesma cidade desde a noite da quarta-feira, algumas delas com sérios ferimentos a bala. O ativista da oposição, Fathi al-Warfali, que vive na Suíça, disse que 11 morreram em Beyida. Outra fonte afirmou que duas pessoas morreram em Zentan e uma morreu em Rijban.

Na cidade de Al Bayda, no leste do país, houve um confronto entre partidários do governo e parentes de dois jovens mortos durante os protestos no dia anterior. Os choques começaram depois que os dois foram enterrados. Na quarta-feira, centenas de manifestantes e policiais se enfrentaram na cidade de Benghazi, a segunda maior do país, situada a cerca de mil quilômetros da capital, Trípoli. Os protestos foram desencadeados pela prisão de Fathi Terbil, um advogado e notório crítico do líder líbio Muamar Kadafi que representa as famílias de vítimas do suposto massacre realizado por forças de segurança no presídio de Abu Slim, em Trípoli, em 1996.

De acordo com a entidade americana Human Rights Watch as autoridades líbias detiveram 14 ativistas, escritores e manifestantes que preparavam protestos contra o governo, enquanto linhas telefônicas foram cortados em partes do país.

Gaddafi governa a Líbia desde 1969, e é o líder africano há mais tempo no poder. O líder líbio diz que o regime de seu país difere do modelo ocidental de democracia e é administrado por uma série de comitês populares, mas críticos dizem que a Líbia é um Estado policial controlado com mão de ferro.

*Com AP e Reuters

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