Manifestações contra Mubarak prejudicam turismo do Egito

Impacto econômico no setor, que representa 11% do PIB egípcio, chegou a US$ 1 bilhão nos primeiros nove dias de protestos

Raphael Gomide, enviado ao Cairo, Egito |

O guia turístico no Cairo, Abdel Hamid El-Sayed vinha montando sua própria agência nos últimos seis meses, para trazer visitantes do exterior ao Egito. Tinha grupos da Espanha e da América Latina confirmados, mas todos cancelaram a viagem com os protestos pela saída do presidente Hosni Mubarak, iniciados há 15 dias.

Embora frustrado com os efeitos comerciais do movimento, Abdel jura que o prejuízo momentâneo “vale a pena”.

“Receberia cerca de 300 turistas nesse primeiro grupo, mas todos desistiram. Espero que venham depois da revolução. Estou contente”, disse ele, que vai quase diariamente à praça Tahrir, que virou epicentro da mobilização popular no centro do Cairo.

A opinião não é compartilhada por outros egípcios. O impacto econômico das manifestações no turismo, que representa 11% do Produto Interno Bruto do país, chegou a US$ 1 bilhão após os primeiros nove dias de manifestações. Nesta terça, 15 dias após depois, esse número pode chegar ao dobro.

O ministro das Finanças egípcio, Samir Radwan, afirmou na sexta-feira ser difícil estimar o prejuízo. “É cedo demais para pôr as perdas em libras egípcias e centavos”, disse.

As pirâmides, principal cartão postal do país, estão fechadas há 10 dias . Sem clientes, guias das pirâmides de Giza afirmaram ao iG não ter mais nenhum dinheiro. Montando seus cavalos e camelos, muitos deles foram à praça Tahrir na quarta-feira 2 de fevereiro para tentar forçar os manifestantes a deixar o local, na esperança de a medida levar à reabertura das pirâmides.

Um dos cavaleiros que invadiram a Tahrir no início das investidas do grupo pró-Mubarak, Hamam Molisa disse ter ido lá porque “não tem dinheiro para comer” .

Os hotéis da capital estão vazios. “Os turistas foram embora, completamente”, disse o porteiro Mohamed Amid, há 30 anos no Ramsés Hilton. Dos 940 apartamentos do empreendimento, que fica perto da praça Tahrir, apenas cerca de 90 (9,5%) estavam ocupados no meio da semana passada, todos por jornalistas. Hoje, apenas cerca de 20 quartos continuam com hóspedes.

No Marriot, para onde a maioria dos jornalistas internacionais se transferiu – incluindo o iG –, após uma onda de violência contra a imprensa, a ocupação nesta terça-feira é de 28%, e inclui funcionários de embaixadas.

Na mesma época do ano em 2009, por exemplo, a taxa variava entre 70% e 80%. O mesmo ocorre no Semiramis Intercontinental, onde apenas cerca de 20% dos quartos têm visitantes.

Nabil Ahmed, funcionário de uma farmácia no bairro de classe média-alta de Zamalek, contou que a loja ficou nove dias fechada por causa dos protestos. As vendas, estima, devem cair cerca de 50% neste mês.

    Leia tudo sobre: egitohosni mubarakmanifestaçõesturismopirâmides

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG