De acordo com dados de ativistas, entre os mortos encontram-se 395 menores, 146 mulheres e 19 médicos

Desde março de 2011, quando começaram os protestos contra o regime de Bashar al-Assad na Síria, o número de mortos vítimas das forças de repressão chegou a 5.862 pessoas, informaram neste domingo os Comitê de Coordenação Local, grupo ativista de oposição.

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Imagem reproduzida de vídeo amador alega mostrar manifestante ferido sendo retirado de Douma, subúrbio de Damasco, Síria, em 30/12
AP
Imagem reproduzida de vídeo amador alega mostrar manifestante ferido sendo retirado de Douma, subúrbio de Damasco, Síria, em 30/12

Entre os mortos, encontram-se 395 menores de idade, 146 mulheres e 19 médicos. O Comitê denunciou também que 287 pessoas perderam a vida após terem sido torturadas pelas forças de segurança.

Segundo o grupo opositor, o ano novo começou sangrento como o que passou. Duas pessoas teriam morrido em Hama, um dos redutos da oposição no país.

A primeira pessoa a morrer em 2012 foi Mahmoud Anas Al Shamy, que morreu em um hospital local após ter sido ferido nesta quinta-feira durante uma manifestação contra o regime.

O presidente Bashar al-Assad começou em março a reprimir com violência os protestos que pediam a renúncia de seu governo. As autoridades da Síria afirmam que têm sofrido ataques de grupos terroristas armados pela violência durante a revolta.

Na sexta-feira, dois dos principais partidos opositores sírios concordaram com um roteiro para chegar à democracia se os protestos em massa tiverem sucesso em derrubar o presidente Bashar al-Assad, de acordo com uma cópia do documento ao qual a Reuters teve acesso.

O grupo de oposição líder o Conselho Nacional Sírio (CNS), em exílio, assinou o acordo com o Comitê de Coordenação Nacional, grupo cuja maioria está dentro da Síria e discordou de ensejos do CNS por intervenção internacional. Essa foi uma de algumas disputas que dividiram os grupos de oposição e os impediram de chegar a um acordo sobre como uma Síria pós-Assad seria.

De acordo com o pacto, os dois lados "rejeitam qualquer intervenção militar que afete a soberania ou estabilidade do país, sem considerar a intervenção árabe como estrangeira".

Ativistas na Síria expressaram pessimismo no sábado sobre a possibilidade de que monitores da Liga Árabe que visitam o país atualmente para verificar se o acordo de paz firmado está sendo cumprido possam interromper a repressão de Assad aos manifestantes, e pediram aos Estados árabes que tomem medidas mais duras para parar com o derramamento de sangue.

O acordo descreve um período de transição de um ano, que poderia ser renovado por uma vez se necessário. Nesse período, o país adotaria uma nova Constituição "que assegure um sistema parlamentar para um estado civil democrático e pluralístico e garanta a troca de poder por meio de eleições para um parlamento e para um presidente da república".

O documento diz que o acordo será apresentado a outros grupos de oposição em uma reunião no próximo mês. Moulhem Droubi, um dos principais integrantes do Conselho Nacional Sírio, confirmou à Reuters que o documento foi assinado na sexta-feira.

O documento diz que "o povo será a fonte de poder e a base da legalidade" e exige que o Estado seja baseado em uma separação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Ele também diz que a liberdade religiosa será garantida pela nova Constituição e condena qualquer sinal de sectarismo ou "militarização do sectarismo".

Apesar da presença dos observadores árabes, a violência continua no país árabe. Ao menos seis pessoas foram mortas nos ataques de sábado, incluindo uma em Damasco, segundo o Comitê de Coordenação Local. Um dia antes, pelo menos 27 tinham sido mortas.

A repressão aos protestos em massa de sexta-feira na Síria terminou com 35 mortos em todo país , de acordo com a americana CNN e a britânica BBC. Mortes aconteceram na cidade de Idlib, Daraa, Hama, cidade de Homs, cidade de Tal Kalakh (Província de Homs, perto do Líbano), nos subúrbios da capital, Damasco, e em Abu Kamal.

Desde que começaram os protestos em meados de março, a ONU estima que 5 mil morreram pela repressão do regime , que acusa grupos terroristas armados da responsabilidade pelas revoltas populares.

Com EFE e AP

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