Mais de 50 morreram neste sábado na Síria, dizem ativistas

Milhares de pessoas estão sitiadas em áreas residenciais submetidas a fortes bombardeios pelas forças do governo

BBC Brasil |

selo

Ativistas sírios disseram que pelo menos 41 civis e 16 soldados foram mortos em confrontos pelo país neste sábado. Os números não podem ser confirmados de forma independente por causa do acesso restrito que a imprensa internacional tem na Síria. Cerca de metade das mortes teriam ocorrido na cidade de Homs, a terceira maior do país e que está sitiada há dias.

Leia também: Cruz Vermelha começa a retirar civis de Homs

AP
Fumaça sai de uma casa após ataque das tropas do governo em Baba Amr, bairro de Homs, na Síria, ontem
A Cruz Vermelha, que havia começado na sexta-feira a retirar mulheres e crianças de Homs, disse que passou a maior parte do sábado negociando, sem sucesso, com autoridades sírias para tirar mais feridos da cidade.

Homs

Cerca de 27 pessoas feridas foram retiradas de Homs na sexta-feira. Um porta-voz da Cruz vermelha disse que a prioridade seria retirar feridos do subúrbio de Baba Amr, principal bastião do movimento de protesto contra o regime do presidente Bashar al-Assad, iniciado há 11 meses.

Milhares de pessoas estão sitiadas em áreas residenciais submetidas a fortes bombardeios pelas forças do governo. Os distritos são defendidos por soldados rebeldes que se auto-denominam o Exército da Síria Livre e que contam somente com armamentos leves. Jornalistas feridos estão entre os que buscam deixar o local.

A Cruz Vermelha afirmou que pretende retirar todos os que necessitam de ajuda. Dois jornalistas feridos fizeram apelos em vídeo por ajuda, a francesa Edith Bouvier, que tem uma perna quebrada, e o britânico Paul Conroy. Ambos foram feridos no ataque que matou outros dois jornalistas, a americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik.

Diplomacia

Os esforços diplomáticos para tentar interromper a violência na Síria aumentaram na sexta-feira com um encontro de altos representantes de 70 países em Túnis, capital da Tunísia.

O grupo, chamado de "Amigos da Síria", emitiu uma declaração pedindo ao governo sírio que interrompa a violência imediatamente, permita a entrada de ajuda humanitária e permita o envio de suprimentos. O grupo também prometeu ampliar as sanções contra a Síria, incluindo proibições de viagens, congelamentos de bens, interrupção do comércio de petróleo, redução das relações diplomáticas e o controle de carregamentos de armas.

A conferência endossou o principal grupo opositor, o Conselho Nacional Sírio, como uma voz "confiável" da oposição, mas evitou declarar o grupo como um possível novo governo.

O conselho já afirmou que uma intervenção militar externa poderia ser a "única opção" para remover o regime de al-Assad, mas nações árabes e ocidentais rejeitam até agora a ideia de uma missão internacional semelhante à que ajudou a derrubar o coronel Muamar Khadafi na Líbia.

Na conferência em Túnis, a Arábia Saudita defendeu que grupos oposicionistas sírios recebam armas para ajudar a derrubar o regime de Assad. Aliados importantes da Síria, a China e a Rússia não estão presentes no encontro na Tunísia.

AP
Imagem de satélite mostra explosão de gasoduto no bairro de Baba Amr, em Homs (15/2)

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, criticou os dois países, que usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para rejeitar resoluções contra a Síria. "É muito preocupante ver esses dois membros permanentes do Conselho de Segurança usarem seus vetos enquanto pessoas estão sendo assassinadas - mulheres, crianças, corajosos homens jovens - e casas estão sendo destruídas", disse ela em Túnis. "É lamentável, e eu pergunto: de que lado eles estão? Claramente não estão do lado do povo sírio", afirmou.

    Leia tudo sobre: SíriaHomsMundo ÁrabeRevolta no Mundo Árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG