Mais de 2 milhões peregrinam ao Monte Arafat na Arábia Saudita

Muçulmanos celebram Primavera Árabe onde creem que profeta Maomé fez seu último sermão no local, há 14 séculos

EFE |

Mais de 2 milhões de muçulmanos, que realizam neste ano a peregrinação a Meca se reúnem neste sábado no Monte Arafat, na Arábia Saudita. Os fiéis, vestidos de branco, iniciaram a caminhada ao local pelo amanhecer, também chamado Monte da Misericórdia, de onde acreditam que o profeta Maomé fez seu último sermão, há mais de 14 séculos.

A tradição anual, conhecida como hajj, é celebrada entre ritos e orações, marcada neste ano pelas conquistas e ideais da "Primavera Árabe" e pela crise diplomática entre Arábia Saudita e Irã. Este é o primeiro hajj após a eclosão das revoltas, manifestações e revoluções que transformaram o panorama político no Egito, Tunísia e Líbia e que ainda são alvo de repressão das autoridades na Síria, Bahrein e Iêmen.

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Reuters
Mais de 2 milhões de mulçumanos são esperados na Montanha Arafat, perto da cidade sagrada de Meca

Até o momento, os pedidos de calma e de instrospecção feitos pelas autoridades sauditas parecem ter sido ouvidos pelos peregrinos. Segundo a polícia, até o momento, não houve incidentes registrados durante o ato religioso - tradição que todo muçulmano deve cumprir pelo menos uma vez na vida, um dos cinco pilares do islã.

O recém-nomeado príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Naif bin Abdul Aziz, que também é ministro do Interior, pediu a todos os fiéis que esqueçam as questões políticas e se concentrem apenas na dimensão religiosa do evento. "Confiamos nos fiéis da Casa de Deus (a Grande Mesquita de Meca). Sua visita para cumprir com este sagrado mandamento os obriga a esquecer esses assuntos", destacou o príncipe em entrevista coletiva nesta semana.

Em alusão aos levantes nos países vizinhos, o príncipe Nayef preferiu se manter imparcial. "O que acontece em alguns países irmãos árabes é assunto interno". Ao falar da Arábia Saudita, que viveu protestos esporádicos, ele se mostrou otimista: "A realidade confirmou a comunhão que existe entre o povo e o governo sauditas".

O príncipe, que ainda preside a Comissão Suprema da Peregrinação, disse acreditar que nenhum incidente aconteceria durante a peregrinação. "Não podemos adivinhar o futuro, mas estamos preparados para tudo". Não é a primeira vez que autoridades religiosas iranianas incitam à realização de manifestações durante a peregrinação. O mesmo ocorreu nos hajj de 2006 e 2009.

Veja imagens da celebração na Arábia Saudita



Forças de segurança

O Ministério de Assuntos Islâmicos saudita lançou uma campanha nas redes sociais para conscientizar os peregrinos sobre a necessidade de respeitar os lugares santos e de não desonrá-los com palavras de ordem políticas ou manifestações que desviem o significado da peregrinação. As , entre eles, 16 unidades especializadas no controle de aglomerações e 150 especialistas na desativação de explosivos.

Para este sábado, os fiéis esperavam o sermão do mufti da Arábia Saudita , um dos momentos de auge da peregrinação, na qual os peregrinos deverão completar o caminho entre Meca e o Monte Arafat, onde o Profeta Maomé teria pronunciado seu último sermão.

No Monte Arafat, uma colina de rocha de 70 metros de altura, os peregrinos purificam seus pecados e cumprem um dos rituais mais importantes do hajj. Vestidos com o "ihram", um traje de duas peças de tela branca sem costuras, os peregrinos recitam constantemente frases de louvor a Deus, entre as quais predomina "Labbayk Allahumma Labbayk" (Estou aqui, ó Senhor).

Após o pôr do sol, os fiéis se deslocarão à localidade vizinha de Muzdalifah, onde no domingo cumprirão o ritual de apedrejamento de três colunas que simbolizam as tentações do demônio. Depois, seguirão à Caaba em Meca para dar sete voltas a seu redor.

*com AFP, EFE e Reuters

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