Madeleine Albright: 'É hora de o governo dos EUA agir na Síria'

Declaração foi dada por ex-secretária de Estado no evento Women of the World, que até sábado marca o Dia das Mulheres em NY

Carolina Cimenti, de Nova York |

Carolina Cimenti
Ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright participa com jornalista Charlie Rose do evento Women in the World, em Nova York
A ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright espera que o governo do presidente Barack Obama tome uma decisão logo e inicie, juntamente com uma aliança internacional, uma ação militar na Síria, onde a repressão do governo contra um levante popular deixou mais de 7,5 mil mortos desde março do ano passado, segundo a ONU.

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“Acreditem, é muito difícil convencer a comunidade internacional a dar o primeiro passo, e é isso que Obama está tentando fazer agora. Também é difícil de entender quando é o momento certo para intervir, mas temos a responsabilidade de proteger. É hora de o governo americano agir na Síria”, disse durante a abertura do evento Women in the World (Mulheres no Mundo), em Nova York, na quinta-feira.

O evento, que homenageia o Dia Internacional da Mulher , reúne até sábado ativistas políticas e celebridades para discutir casos em que as mulheres sofrem violências, como casamentos forçados e tráfico humano.

Albright elogiou fortemente a ação lançada na Líbia há um ano, quando os EUA atuaram juntamente com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para ajudar a derrubar o governo do ex-ditador Muamar Kadafi . “Assim como ocorreu na Líbia, é preciso realizar uma ação na Síria com a participação de outros países, mas também com a total participação dos EUA”, afirmou.

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Atualmente, Albright é professora de diplomacia na Universidade de Georgetown, e disse que ensina a seus alunos as “limitadas ferramentas que um país tem para trabalhar nas relações externas”, em referência à diplomacia e às sanções econômicas. “Antes de partir para uma ação militar, é isso que um governo pode fazer: conversar ou cortar o comércio com outro país. Muitas vezes não é o suficiente”, analisou.

Em relação ao Irã, Albright disse achar “extremamente interessante” que o governo iraniano tenha aceitado voltar à mesa de negociações com os europeus e americanos, logo depois que as sanções contra a compra do petróleo do Irã foram colocadas em prática. “Depois das eleições parlamentares no Irã, quando os políticos moderados não puderam nem mesmo se candidatar, o partido do presidente ficou tão cheio de radicais loucos, que ele, Mahmud Ahmadinejad, até parece normal”, brincou.

AP
Sírio chora durante enterro de pai, morto por franco-atirador do Exército da Síria em Idlib (08/03)
Ao final do seu debate com o jornalista americano Charlie Rose, Albright foi questionada por ele sobre por que há tão poucas mulheres em cargos de liderança política no mundo e em cargos de chefias. A ex-secretária de Estado não o deixou nem mesmo completar a pergunta. Respondeu alto e claramente: “Homens!”

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