Liga diz que Síria aceita negociar e retirar militares

Primeiro-ministro do Catar informou que termos acordados no final de semana foram aceitos, mas protestos continuam

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A Síria concordou em retirar os militares das cidades, libertar presos políticos e negociar com a oposição, como parte de um plano da Liga Árabe para acabar com a violência decorrente da repressão aos protestos pró-democracia.

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O presidente sírio, Bashar al-Assad, durante encontro com o premiê do Catar, Hamad bin Jassim Bin Jabr Al-Thani (26/10)
"Estamos felizes por termos chegado a este acordo, e vamos ficar ainda mais felizes quando ele for imediatamente implementado", disse o primeiro-ministro catariano, xeique Hamad bin Jassim al-Thani, após uma reunião de chanceleres árabes para discutirem o plano, no Cairo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que 3.000 pessoas, a maioria civis, já morreram por causa dos conflitos na Síria. O governo de Bashar al-Assad diz estar enfrentando grupos armados patrocinados por forças estrangeiras, os quais já teriam matado mais de 1.100 soldados e policiais.

Leia também: Síria pode virar novo Afeganistão com intervenção ocidental, diz Assad

A Liga Árabe tinha pedido ao governo sírio que acabasse com a violência contra os cidadãos, removesse os tanques e os veículos militares das ruas do país e libertasse prisioneiros políticos, informou um oficial da organização na segunda-feira, segundo a rede CNN.

Os países árabes fizeram a proposta ao ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, no domingo, em uma reunião em Doha, no Catar. A Liga Árabe também propôs um diálogo entre oficiais da Síria e membros da oposição no Cairo, começando nesta quarta-feira. As propostas incluíam um prazo para serem cumpridas. Não ficou claro até que ponto essas exigências, de ambos os lados, constaram no acordo final.

Em frente à sede da Liga Árabe, no Cairo, alguns manifestantes gritavam palavras de ordem contra o diálogo e pela renúncia imediata de Assad. "Que vergonha, protestos pacíficos e ele atira", gritavam.

Os Estados Unidos também reiteraram sua posição pela renúncia de Assad, apesar do anúncio da Liga Árabe. "Nossa posição continua sendo de que o presidente Assad perdeu sua legitimidade para governar, e que deveria renunciar", disse Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

O xeique Hamad, cujo país havia comandado o comitê que redigiu o plano, disse que a Síria concordou em parar imediatamente com a violência e em permitir que a Liga Árabe e a imprensa acompanhem a situação de perto.

Ele afirmou a jornalistas que a Liga continuará mantendo contatos com o governo e a oposição, "preparando um diálogo nacional dentro de duas semanas".

* com Reuters

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