Liga Árabe suspende participação da Líbia na organização

Chanceler alemã, Angela Merkel, ameaçou país com sanções; Casa Branca reiterou apelo contra uso da violência contra manifestantes

iG São Paulo |

A Liga Árabe suspendeu a participação da delegação líbia na organização sediada no Cairo, capital do Egito. Segundo um comunicado oficial, "está suspensa a participação das delegações governamentais da Líbia nas reuniões do Conselho da Liga Árabe e de todas as suas organizações dependentes até que as autoridades líbias cumpram os requerimentos" da organização pan-árabe

"A Liga Árabe condena os crimes contra os atuais protestos pacíficos e manifestações populares em diversas cidades líbias”, disse o secretário-geral Amr Moussa após reunião do grupo, segundo a agência Bloomberg. Ele criticou também o uso de armas e mercenários estrangeiros por forças de segurança da Líbia, o que chamou de um “uma grave violação de direitos humanos”.

Reuters
Manifestantes protestam contra o governo de Kadafi na cidade de Tobruk, na Líbia
A organização pediu respeito aos direitos de liberdade de expressão e protestos dos líbios, ao mesmo tempo em que exigiu mudanças democráticas. Segundo ele, a Líbia será banida das reuniões do grupo até que Kadafi responda às demandas da organização.

Também nesta terça-feira, a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu uma investigação internacional sobre os ataques contra os manifestantes antigoverno na Líbia, afirmando que eles podem equivaler a crimes contra a humanidade.

Em um comunicado, Navi Pillay pediu o fim imediato das violações aos direitos humanos e denunciou "o uso de metralhadoras, francoatiradores e aviões militares contra os manifestantes." "Ataques disseminados e sistemáticos contra a população civil podem equivaler a crimes contra a humanidade", disse Pillay, que já foi juíza da ONU para crimes de guerra.

Assustada com o discurso de Kadafi, nesta terça-feira, que ameaçou massacrar manifestações da oposição , a chanceler alemã, Angela Merkel, ameaçou a Líbia de Kadafi com sanções.

Merkel afirmou em entrevista coletiva que se o líder líbio não frear os atos de violência, ela irá apoiar sanções contra a Líbia, onde centenas de pessoas estão sendo reprimidas durante os protestos contra os 41 anos de governo de Gaddafi.

"As notícias que tivemos da Líbia ontem e hoje são preocupantes e o discurso do coronel Gaddafi nesta tarde foi muito, muito assustador, especialmente porque ele virtualmente declarou guerra contra seu próprio povo", disse Merkel. "Instamos o governo líbio para que suspenda imediatamente o uso da violência contra seu próprio povo, e se o uso da violência não cessar, a Alemanha então vai esgotar todas as possibilidades de exercer pressão e influência sobre a Líbia", disse ela. Se o governo líbio não desistir, declarou ela, "falaremos então em favor de sanções contra a Líbia."

EUA

O almirante Mike Mullen, líder do Comando Conjunto do Estado-Maior das forças dos EUA, afirmou que mudanças seriam necessárias para que houvesse uma resolução pacífica no país africano. "Todos concordamos que esse é um momento de profundas mudanças e precisa ser resolvido de forma pacífica, sem mortes", disse Mullen, que chegou à região do Golfo no domingo para uma visita de uma semana para reforçar os laços estratégicos com os aliados dos EUA, ameaçados pelos protestos que se espalham pelo mundo árabe.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, qualificou nesta terça-feira de "completamente inaceitável" a repressão sangrenta contra as manifestações antigovernamentais na Líbia, depois de ter condenado o que chamou de “derramamento de sangue".

A Casa Branca reiterou nesta terça-feira seu apelo contra o uso da violência contra as manifestações opositoras. "Tanto na Líbia, como no Egito, Bahrein e outros países, lançamos um chamado muito firme pelo fim do uso da violência contra quem protesta de maneira pacífica", disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney, que acompanha o presidente Barack Obama em uma visita a Cleveland, em Ohio. Carney, que ressaltou que os Estados Unidos reconhecem "as aspirações legítimas" dos que pedem mudanças políticas na Líbia, solicitou respeito "aos direitos universais" como a liberdade de expressão.

O Conselho de Segurança, presidido pelo Brasil neste mês, reuniu-se a portas fechadas na terça-feira para discutir a situação na Líbia. A reunião aconteceu a pedido de Ibrahim Dabbashi, o vice-embaixador da Líbia na ONU, que também deixou de apoiar Kadafi , denunciando-o como "tirano."

*Com AFP, EFE e Reuters

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