Liga Árabe rejeita mudanças propostas pela Síria em plano de paz

Para organização, redução no número de observadores proposta por Assad altera essência do documento que tenta pôr fim à violência

iG São Paulo |

Reuters
Uma síria que mora na Jordânia pintou a bandeira dos dois países nas mãos durante protestos contra Assad em Amã (17/11)
A Liga Árabe rejeitou neste domingo as mudanças propostas pelo presidente da Síria , Bashar Al-Assad, em um plano de paz que tenta solucionar a crise no país. Segundo a organização, que reúne 22 nações árabes, as emendas de Assad alteram a “essência” do documento.

O líder sírio aceitou em princípio o plano de paz, mas propôs mudanças no número de observadores a ser enviado ao país, que seria reduzido de 500 para 40. O papel dos observadores seria supervisionar a implementação do plano de paz, que prevê que o governo pare de atacar manifestantes, retire militares de áreas de tensão e comece negociações com a oposição.

Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal britânico Sunday Times, Assad acusou a Liga Árabe de criar um pretexto para uma invasão ocidental em seu país, o que, segundo ele, criaria um "terremoto" no Oriente Médio.

Assad também disse que seu país não vai se curvar diante da pressão internacional e que vai continuar enfrentando as "gangues armadas" que, segundo ele, vêm provocando uma onda de violência nas ruas.
O líder prometeu realizar eleições em fevereiro ou março, quando os sírios escolheriam representantes no Parlamento para criar uma nova Constituição. Esta, por sua vez, determinaria a realização eleições presidenciais no futuro.

"Essa Constituição vai lançar as bases de como eleger um presidente, se um presidente é necessário ou não. As urnas vão decidir quem deve ser presidente", disse ele.
Explosão em Damasco

Na madrugada deste domingo, duas granadas teriam atingido um prédio do partido do governo, o Baath, na capital, Damasco, segundo relatos de moradores e ativistas. Se confirmado, este seria o primeiro ataque do tipo na capital, desde o início do levante contra o governo de Assad, em março.

Após relatos iniciais de fumaça no prédio, bombeiros teriam sido enviados até o local. A situação teria voltado ao normal na manhã deste domingo, mas um repórter da BBC diz que as forças de segurança ainda estão dentro do prédio.

Um grupo de desertores do Exército sírio teria assumido a responsabilidade pelo ataque. Analistas afirmam, no entanto, que há alguma suspeita de que o próprio regime possa estar por trás do incidente, como forma de justificar sua posição de que terroristas armados são os responsáveis pelos protestos no país.

Segundo a ONU, a repressão aos protestos deixou mais de 3,5 mil mortos desde março. O governo sírio vem restringindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, dificultando a verificação e a confirmação dos acontecimentos no local.

Com AP e BBC

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