Liga Árabe pedirá na ONU criação de força de paz conjunta para Síria

Em resolução discutida em reunião, grupo árabe sobe o tom contra regime de Assad e promete melhorar diálogo com oposição do país

iG São Paulo |

A Liga Árabe pedirá ao Conselho de Segurança da ONU a criação de uma força conjunta de paz para a Síria, no mais recente esforço do grupo regional para pôr um fim à crise do país, que já dura 11 meses e deixou mais de 5,4 mil mortos.

Leia também: Chefe de missão na Síria renuncia enquanto Liga Árabe se reúne

AP
Sírios carregam corpo de rebelde um dia depois de sua morte em confronto em Idlib, Síria

O projeto de resolução obtido pela Associated Press foi discutido durante uma reunião da Liga Árabe que ocorre neste domingo no Cairo , Egito. O chanceler saudita Saud Al-Faisal transmitiu a frustração da Liga com a Síria dizendo aos delegados que não era mais apropriado para o grupo, formado por 22 países, assistir passivamente ao derramamento de sangue na Síria.

"Até quando vamos nos manter espectadores?", disse. "É uma desgraça para nós como muçulmanos e árabes aceitarmos (a violência na Síria)."

A Liga Árabe tem exercido um papel de líder regional nos esforços para conter a violência na Síria. O grupo conseguiu levar adiante um plano de paz, que o presidente sírio Bashar al-Assad assinou em dezembro , e então enviou monitores para verificar se o regime sírio cumpria com as propostas. Porém, quando ficou claro que o governo estava ignorando os termos do pacto e intensificando a represão, a Liga retirou os observadores no mês passado.

O projeto de resolução pede por um imediato cessar-fogo na Síria e exige que as forças do regime suspendam o cerco aos bairros e aldeias e retirem as tropas das ruas. Segundo a BBC, que também teve contato com o documento, a Liga Árabe determina também o fim de sua missão observadora, suspensa desde o mês passado.

No texto, a Liga Árabe pede que os grupos de oposição sírios estabeleçam uma união antes da reunião do grupo dos Amigos da Síria, que inclui os EUA, seus aliados europeus e as nações árabes que trabalham pelo fim da violência no país. O encontro ocorrerá no dia 24 de fevereiro, na Tunísia.

A criação do grupo Amigos da Síria ocorre semanas após a derrota diplomática no Conselho de Segurança. O projeto de resolução da ONU contra o regime do país, que apoiava o plano árabe de pedir que Assad renunciasse, não foi aprovado, pois a Rússia e a China usaram seu poder de veto para impedir a medida .

Leia também: Rússia e China vetam resolução da ONU contra a Síria

A Liga também quer que os grupos da oposição tenham apoio político e material. O grupo pede pela suspensão de todos os contatos diplomáticos com a Síria e pelo envio dos oficiais responsáveis pelos crimes contra o povo sírio a cortes criminais internacionais. O plano fala sobre um aumento de sanções comerciais, anteriormente adotadas pela Liga, mas que não foram totalmente implementadas.

A reunião do grupo no Cairo também considerava uma proposta de expulsar todos os embaixadores sírios das capitais árabes. Os membros do Conselho de Cooperação do Golfo - Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar e Bahrein - expulsaram os embaixadores sírios de seus países durante a última semana.

As seis nações, particularmente a Arábia Saudita e o Catar, têm trabalhado pela adoção de uma posição mais rígida contra o regime de Assad e devem oferecer reconhecimento formal do Conselho Nacional Sírio, o maior grupo de oposição da Sìria, na reunião deste domingo. As autoridades da Liga afirmam que os grupos de oposição da Síria devem aproximar laços e se unir sob uma única denominação.

Autoridades da Liga Árabe afirmaram que o chefe do grupo, Nabil Elaraby, aceitou a renúncia de Mohammed Ahmed Al-Dabi, chefe da missão observadora da Síria, e nomeou o chanceler jornaniano Abdul-Illah al-Khatib como novo enviado.

Ofensiva

Ao menos 24 pessoas, na maioria civis, morreram neste domingo em novos episódios de violência na Síria, especialmente na cidade de Homs (centro), bombardeada pelas forças do regime e na qual falta pão, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Antes da ofensiva: Manifestantes aproveitam calmaria em Zabadani

De acordo com ativistas, no sábado, 35 foram mortos, enquanto um general foi morto em Damasco . "Os disparos dos tanques e de morteiro se intensificaram neste domingo à tarde", afirmou o responsável do OSDH, Rami Abdel Rahman, que afirmou que "ao menos 14 pessoas morreram em Homs, 13 delas em Baba Amr", um dos bairros da cidade mais atacados desde o início da ofensiva do regime sobre essa cidade em 4 de fevereiro.

"Falta pão em alguns bairros", completou. Em outras regiões do país, uma mulher morreu quando sua casa foi atingida por um foguete em Rastán, na província de Homs, e uma criança morreu ao ser atingido por disparos de franco-atiradores em Derraa (sul) quando participava do funeral de uma criança morta na véspera, segundo o OSDH.

Na província de Hama (centro), oito soldados do exército regular morreram em confrontos com grupos de desertores, perto da cidade de Kalaat al Madik.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG