Liga Árabe impõe sanções à Síria, que critica 'interferência'

Punições incluem congelamento de bens, veto a viagens de autoridades sírias e cortes de investimentos e transações comerciais

BBC Brasil |

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Reuters
Manifestantes protestam contra o presidente sírio Bashar al-Assad em Homs (22/11)
Membros da Liga Árabe aprovaram neste domingo um inédito pacote de sanções econômicas contra a Síria, país que vive uma violenta onda de repressão a manifestantes antigoverno. Segundo declarações iniciais de autoridades do Catar, as sanções, aprovadas por 19 dos 22 membros da Liga, incluem congelamento de bens e veto a viagens de autoridades sírias, cortes de investimentos e transações comerciais com o país e a suspensão de acordos com o banco central sírio.

Ministros de países árabes haviam redigido as sanções durante um encontro no Cairo, depois de a Síria ignorar um ultimato da Liga Árabe , que tentou enviar ao país uma missão de observadores com o objetivo de monitorar os confrontos entre forças de segurança e manifestantes pró-democracia.

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A Síria, por sua vez, rejeitou a iniciativa da Liga Árabe, alegando que o organismo está interferindo em assuntos internos e tentando "internacionalizar" o conflito sírio.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que Damasco está retratando internamente a ação da Liga Árabe como uma "conspiração ocidental" para prejudicar o país, por conta de sua resistência tradicional a Israel.

A TV estatal síria descreveu as sanções, antes mesmo de elas serem divulgadas, como "medidas sem precedentes que alvejam a população". E, segundo a agência Associated Press, autoridades sírias consideraram as sanções como uma traição à "solidariedade árabe".

Enquanto isso, confrontos continuavam sendo registrados no país neste domingo, e ativistas alegam que ao menos dez morreram em manifestações ao redor da Síria.

No sábado, o Exército enterrou 22 militares que também teriam sido mortos nos enfrentamentos. No total, estima-se que mais de 3,5 mil pessoas tenham morrido no país desde o início dos protestos, em março, segundo cálculos da ONU.

Eficácia das sanções

O correspondente da BBC explica que as sanções provavelmente terão impacto na Síria, mas não de forma dramática e incontornável. Isso porque diversos países vizinhos relutam em impor punições demasiado duras que prejudiquem as relações bilaterais e provoquem uma enxurrada de refugiados sírios em suas fronteiras.

O Iraque, por exemplo, disse que é impossível impor um bloqueio total à entrada de sírios por sua porosa fronteira; o Líbano, por sua vez, posicionou-se contra as sanções e dificilmente vai implementá-las. Nenhum dos dois países votou a favor das punições neste domingo.

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