Liga Árabe considera levar caso da Síria a Conselho de Segurança

Organização diz que Damasco tem até 4ª para aceitar observadores se quiser evitar que Liga recorra à máximo órgão da ONU

iG São Paulo |

AP
Imagem de vídeo amador mostra carros pegando fogo após ter sido atacado pelas tropas de Assad (14/12)
A Liga Árabe deu à Síria até quarta-feira para permitir a entrada de observadores no país se não quiser que a organização recorra ao Conselho de Segurança da ONU para pedir uma ação para pôr fim à sangrenta repressão contra oponentes do regime, anunciou neste sábado o primeiro-ministro do Catar, xeque Hamad Bin Lassem Bin Labr Al-Thabi.

Leia também: Comandantes autorizaram repressão em massa na Síria, diz ONG

Segundo Hamad, os ministros árabes de Relações Exteriores realizarão um encontro "decisivo e importante" no Cairo na quarta-feira para decidir quais serão os próximos passos. Ele disse que há quase uma unanimidade entre os Estados árabes em levar a questão para a ONU depois de a Síria ter reivindicado mudanças à proposta da Liga para acabar com a violência .

O plano árabe pede que a Síria pare a repressão e permita a entrada no país de observadores que assegurem o respeito ao acordo. A Síria pediu algumas emendas em relação ao trabalho dos observadores.

A organização de 22 membros também suspendeu a Síria e impôs sanções contra o país , mas tem estado dividida sobre a possibilidade de buscar uma ajuda mais ampla da comunidade internacional fora do mundo árabe. As declarações de Hamad depois de um encontro ministerial no Catar neste sábado indicou que o grupo que se opõe a uma intervenção externa pode estar ficando menor.

Recentemente houve uma forte escalada nos confrontos armados sírios, levantando preocupações de que o país de 22 milhões de habitantes se encaminha para um guerra civil. Nesta semana, a ONU aumentou sua estimativa de mortos desde o início do levante, há nove meses, para mais de 5 mil .

A Rússia começou a circular um esboço de resolução no Conselho de Segurança na quinta-feira, afirmando que tinha o objetivo de solucionar o conflito na Síria. O documento pede o fim da violência, mas não contém sanções.

"Desde que a Rússia foi ao Conselho de Segurança da ONU, há um esboço de resolução árabe a ser enviado à reunião da Liga Árabe em 21 de dezembro, para pedir que o Conselho de Segurança adote a iniciativa árabe e as resoluções árabes em vez de resoluções de outros Estados", disse.

Isso estimulou a Liga Árabe a considerar apresentar ao órgão uma iniciativa própria, disse o premiê do Catar em uma coletiva. Segundo ele, o objetivo é encerrar a repressão da Síria, mas sem ação militar. "Não estamos falando de uma ação militar, mas pedimos que o Conselho de Segurança adote a iniciativa árabe", afirmou.

O anúncio foi feito enquanto uma delegação do iraque chegava à Síria para se reunir com o presidente Bashar al-Assad e discutir formas de acabar com a crise.

Ali al-Moussawi, um conselheiro do premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, disse que a delegação busca encontrar uma solução pacífica "que preserve a unidade síria". Muitos iraquianos temem que, se ocorrer uma guerra civil na Síria, ela se espalhe para o Iraque, que fica a leste. O Iraque foi um dos poucos países da Liga que se abstiveram na votação que aprovou sanções contra a Síria.

Violência

Neste sábado, disparos do Exército e das forças de segurança deixaram ao menos 22 mortos, incluindo três crianças e uma mulher, informaram os opositores Comitês de Coordenação Local. O maior número de vítimas foi registrado na Província de Homs, no centro do país, uma das principais fortificações da oposição, onde ao menos oito morreram.

Além disso, houve seis mortes na Província de Deraa, seis em Idleb e duas em Al-Zabadani, perto de Damasco, que, segundo os Comitês, está sob ataque de partidários do presidente Assad. Enquanto isso, são registrados choques entre o Exército e soldados desertores na região de Jabal Zauya, na fronteira com a Turquia.

De acordo com os Comitês, duas das vítimas de Idleb são militares dissidentes. As informações não puderam ser confirmadas de forma independente por causa das restrições impostas pelas autoridades sírias aos jornalistas e às organizações internacionais.

*Com AP, Reuters e EFE

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