Líderes internacionais se reúnem em Londres para discutir ação na Líbia

Em encontro paralelo, Hillary Clinton dicute situação do país com um dos líderes da oposição, Mahmoud Jibril

iG São Paulo |

Uma reunião em Londres nesta terça-feira que contará com a presença de delegações de cerca 35 países e de representantes órgãos internacionais irá discutir os próximos passos da ação militar na Líbia. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse esperar que o encontro venha a garantir ''o máximo de unidade política e diplomática''.

Em encontro paralelo à conferência, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teve uma reunião com um dos líderes da oposição líbia, Mahmoud Jibril, responsável pelas "relações internacionais" do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR).

AP
Hillary Clinton e Mahmoud Jibril têm reunião em Londres, na Inglaterra

Hillary e Jibril já se encontraram em Paris em 15 de março, quando discutiram uma possível ajuda econômica e política à oposição líbia. Mais cedo, Jibril também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.

Em comunicado, Hague definiu o CNTR como "interlocutor político importante e legítimo" e disse que durante a reunião ele e Jibril analisaram a "situação política e humanitária na Líbis". "Concordamos na importância absoluta de proteger e salvaguardar os civis", destacou.

'Antes que seja tarde '

Em um comunicado conjunto, a Grã-Bretanha e a França conclamaram correligionários do líder líbio, o coronel Muamar Kadafi, a abandoná-lo ''antes que seja tarde demais''. No documento , Cameron e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmam que a conferência ''irá aproximar a comunidade internacional de modo a dar apoio à transição da Líbia de uma ditadura violenta para criar as condições para que o povo da Líbia possa escolher seu próprio futuro''.

Grã-Bretanha e França foram os defensores mais veementes da implementação de uma ação militar contra as forças leais a Kadafi, que vinham avançando sobre áreas controladas por rebeldes que lutam contra o regime líbio. No documento, os líderes dos dois países disseram que o governo líbio perdeu toda a sua legitimidade e deve ''partir imediatamente''.

Obama

Na segunda-feira à noite, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento no qual defendeu o envolvimento americano na operação militar internacional. Ele afirmou que a intervenção americana salvou ''incontáveis vidas'' ameaçadas pelas forças do ''tirano'' Muamar Kadafi.

Mas, ciente de uma parcela expressiva da opinião pública americana vê com receios o envolvimento americano em mais um conflito militar, frisou que os Estados Unidos estavam passando o controle da incursão militar para a aliança militar Otan. A ação militar americana na Líbia foi autorizada há dez dias - quando Obama estava em Brasília, em visita oficial ao Brasil - e segue uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

A resolução, aprovada sem o voto do Brasil, que se absteve, prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e "todas as medidas necessárias" para proteger "civis e áreas habitadas por civis" de ataques por parte das forças de Kadafi.

Participantes

A reunião desta terça em Londres irá reunir integrantes da coalizão que participa da operação militar contra posições de Kadafi, bem como de representantes da ONU, da Otan, da União Africana e da Liga Árabe.

Os países ocidentais esperam que a presença de países árabes como Qatar, Iraque, Jordânia, Marrocos, Líbano, Tunísia e Emirados Árabes vá reforçar a aliança e indicar que países árabes endossam a operação.

Mas a Rússia, que diz que a operação militar vai além dos termos da resolução da ONU que a autorizou, afirmou que não irá participar do encontro. A conferência irá também discutir o fornecimento de ajuda humanitária.

Reação

Nos últimos dias, combatentes anti-KadaFi retomaram o controle de cidades que haviam capturado no início da rebelião contra o regime, mas que haviam caído nas mãos de forças do governo.

Entre as cidades retomadas estão áreas estratégicas no litoral do país e que contam com instalações petrolíferas, como Ras Lanuf, Brega, Uqayla e Bin Jawad.

Mas repetidos ataques realizados por tropas leais ao regime impediram-nos de alcançar Sirte , a cidade natal do coronel Kadafi e um alvo de forte simbolismo para os rebeldes.

Com BBC e AFP

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