Líderes do partido de Hosni Mubarak renunciam no Egito

Filho de presidente, Gamal Mubarak deixou comitê de políticas do Partido Nacional Democrático, em meio à pressão opositora

BBC Brasil |

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Duas figuras-chave do Partido Nacional Democrático, legenda do presidente egípcio, Hosni Mubarak, renunciaram neste sábado, em uma aparente concessão aos manifestantes contrários ao governo .

Os dois principais aliados do presidente Hosni Mubarak, incluindo seu filho Gamal, deixaram seus postos. Os dois cargos foram ocupados por Hossam Badrawi, um reformista e médico proeminente.

A renúncia dos líderes do PND foi anunciada na TV estatal. “Os membros do comitê executivo renunciaram de seus postos. Foi decidido nomear Hossam Badrawi secretário-geral do partido”, afirmou a TV.

Gamal Mubarak perdeu seu cargo de diretor do comitê de políticas, e o general Safwat al-Sharif deixou o posto de secretário-geral. Relatos não confirmados de uma TV privada dizem que Mubarak também teria renunciado do cargo de diretor do partido. Mubarak já afirmou que não disputará a reeleição à Presidência em setembro, mas diz que deve permanecer no cargo até lá para impedir o caos no país. Manifestantes exigem sua saída imediata.

No sábado, o presidente encontrou o primeiro-ministro e os ministros das Finanças, Petróleo e Indústria e Comércio, assim como o governador do banco central.

Os manifestantes ainda ocupam a praça Tahrir, no centro do Cairo , mas estão em menor número do que na sexta-feira.

Mubarak também conversou com ministros sobre um meio de reavivar a economia. Os bancos reabrirão no domingo, mas o ministro das Finanças, Samir Radwan, afirmou que a situação era “muito séria”. Analistas dizem que a turbulência tem custado ao menos US$ 310 milhões por dia ao país.

Antes, houve relatos de uma explosão num gasoduto que fornece gás a Israel e à Jordânia. O incidente causou um incêndio próximo à cidade de El-Arish, segundo a televisão estatal egípcia.

Negociações

Após dias de protestos, o governo deu início a negociações com a oposição sobre a transferência de poder .

O ministro das Finanças do país, Samir Radwan, disse à BBC que o vice-presidente Omar Suleiman se encontraria com líderes da oposicionistas, mas até o momento apenas partidos pequenos confirmaram participação nas conversas.

O principal grupo de oposição no Egito, a Irmandade Muçulmana, disse estar pronto para dialogar com o governo, desde que haja um acordo por escrito sobre a realização de uma reforma política dentro de um cronograma. Em uma declaração divulgada na noite de sexta-feira pelo grupo, não há nenhuma menção à exigência, feita anteriormente, de que Mubarak deixe o poder imediatamente.

Uma das principais figuras de oposição, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei tampouco confirmou presença nas negociações.

Manifestação

Milhares de pessoas ainda ocupam a Praça Tahrir, no centro do Cairo, após a enorme manifestação de sexta-feira, mas o correspondente da BBC Jim Muir afirma que, aos poucos, as pessoas estão deixando o local.

Segundo ele, começaram a surgir dúvidas dentro do movimento sobre o quanto ainda é possível conseguir através de manifestações. Além disso, muitas das pessoas envolvidas nos protestos estariam preocupadas com a perda de renda.

A crise política gerou uma paralisia econômica no país, fechando bancos e a bolsa de valores do Cairo, os turistas deixaram os resorts e os preços de produtos como cigarros e pão vêm subindo vertiginosamente.

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