Líderes de Israel usam tom conciliador ao tratar de tensão com Egito

Depois de ataque à embaixada do Cairo, governo egípcio garante reforço na segurança do prédio e diz querer normalidade

iG São Paulo |

Reuters
Benjamin Netanyahu participa da reunião semanal do gabinete, em Israel
Israel reiterou neste domingo que espera retornar à normalidade nas relações com o Egito para preservar o acordo de paz estratégico de 1979 com o seu vizinho, apesar do ataque contra sua embaixada durante essa semana no Cairo.

O premiê do país, Benjamin Netanyahu, declarou seu compromisso em preservar a paz com o país. "Estou feliz que existam forças no Egito, começando pelo governo, que querem fazer a paz avançar", declarou Netanyahu neste domingo, ressaltando que o fim de semana foi "muito difícil" e "cheios de riscos".

Netanyahu acrescentou que seu país está em contato com o governo egípcio para decidir os procedimentos necessários para o retorno do embaixador, Yitzhak Levanon, e sua equipe, que, na madrugada de sexta para sábado, abandonaram Cairo , por conta dos ataques.

Assim como havia feito no sábado , Netanyahu felicitou o presidente Barack Obama "que passou por um momento crítico depois de usar a influência americana" para resolver a questão.

Os Estados Unidos pediram ao Egito que protejam a missão israelense no país. Washington deu bilhões de dólares em ajuda militar e de outros tipos à nação desde 1979, quando o Egito se tornou o primeiro Estado árabe a assinar um acordo de paz com Israel.

"A segurança em frente à embaixada foi elevada," afirmou à Reuters o porta-voz do gabinete egípcio, Mohamed Higazy. "Voltar à normalidade é o objetivo de ambos os lados."

Cerca de 16 caminhões cheios de policiais e seguranças, três ônibus da polícia militar, dois veículos blindados e outros carros foram estacionados próximos à embaixada neste domingo.

Não só Netanyahu, mas vários líderes israelenses adotaram um tom conciliador para tratar do caso. O ministro da Defesa, Matan Vilnai, agradeceu os membros de um comando egípcio que ajudaram seis guardas israelenses encarregados da proteção da Embaixada que ficaram presos no local após a invasão. "(As forças de segurança) resolveram o problema, talvez um pouco tarde, mas evitaram um banho de sangue", assinalou. Para Vilnai, a normalidade entre os dois países "é de interesse tanto de Israel como do Egito, mesmo se não foi simples".

O ministro do Desenvolvimento israelense, Gilad Erdan, disse que seu país fará tudo o que for possível para que as relações voltem ao normal.

Após a queda do presidente do Egito Hosni Mubarak em fevereiro, as relações bilaterais entraram em uma zona de turbulência e se agravaram ainda mais depois que cinco policiais egípcios foram mortos no dia 18 de agosto pelas forças israelenses que realizam ataques no sul de Israel próximo a fronteira do Egito.

"Nós estamos comprometidos em preservar a paz com o Egito", prometeu Netanyahu no sábado.

Isolamento

Apesar disso, líderes da direita israelense exprimiram suas dúvidas quanto a "Primavera Árabe" que agita muitos países da região e é considerada como positiva pelos países ocidentais, mas acolhida com suspeita por Israel.

"Israel é um dos únicos países do mundo a não exaltar e aplaudir o que eles chamam de Primavera Árabe. Continuamos céticos, mesmo se apoiamos a democratização nos países árabes", disse Erdan.

Erdan rejeitou categoricamente qualquer ligação entre o isolamento regional de Israel e as crises diplomáticas com o Egito e a Turquia, além do impasse total das negociações com os palestinos.

"Tudo isso não tem nada a ver, o ódio das multidões contra Israel já existia mesmo antes das negociações", disse.

No entanto, vozes se elevam e se preocupam quanto ao isolamento de Israel em relação ao pedido de reconhecimento do Estado da Palestina na ONU.

"Na Turquia, o governo é contra nós. No Egito, a população está contra nós e na ONU, a maioria dos países-membros estão contra nós", resumiu o apresentador da rádio pública Aryeh Golan.

O ministro da defesa, Ehud Barak, convocou uma reunião especial para debater esse isolamento crescente.

* Com AFP e Reuters

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