Liderança síria está cometendo erros, diz chanceler da Rússia

Em aparente mudança de tom, Sergei Lavrov critica Assad por responder de forma incorreta às primeiras manifestações pacíficas

iG São Paulo |

AP
Chanceler russo, Sergei Lavrov, fala em encontro sobre a Síria com autoridades libanesas em Moscou
A Rússia afirmou nesta terça-feira que o presidente sírio , Bashar al-Assad, está "cometendo muitos erros" apesar dos repetidos chamados de Moscou para que o regime e os rebeldes renunciem à violência e iniciem um diálogo.

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"Acreditamos que a liderança síria respondeu de forma incorreta às primeiras manifestações pacíficas", disse o chanceler russo, Serguei Lavrov, à rádio russa Kommersant.

"A liderança síria, apesar das diversas promessas feitas em resposta a nossos pedidos, está cometendo muitos erros", disse Lavrov, para quem os atuais sinais de diálogo chegam "muito tarde". "Isso, infelizmente, levou sob muitos aspectos o conflito a chegar a tal estágio severo."

Esses comentários ocorrem quando os sinais de que a Rússia poderá deixar de apoiar o regime sírio se multiplicam depois de um ano de violência que deixou mais de 8 mil mortos , de acordo com as Nações Unidas.

A Rússia nos últimos meses se juntou à China para vetar duas resoluções do Conselho de Segurança sobre a Síria, alegando que elas poderiam abrir caminho para uma intervenção militar internacional, nos moldes do que ocorreu na Líbia.

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Nesta terça-feira, Moscou informou que estava disposto a apoiar uma declaração do Conselho de Segurança proposta pelo enviado da ONU para a paz na Síria, Kofi Annan , com a condição de que o documento não preveja um ultimato.

Na semana passada, Lavrov acusou Assad de ser lento nas reformas. Mas os últimos comentários do ministro mostram que Moscou não aprecia o comportamento da liderança síria desde que a crise começou.

Aliado

Até agora, as autoridades russas evitaram evocar publicamente a possibilidade de uma saída do presidente Assad, insistindo no fato de que qualquer solução à crise deve passar necessariamente por um diálogo político com Damasco.

Nesta terça-feira, no entanto, o chanceler russo não se opôs completamente à ideia de um exílio de Assad no exterior. "Talvez seja o caso, mas é Assad que deve decidir", concluiu.

*Com AFP e Reuters

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