Líder sírio diz que faltou treino às forças de segurança para lidar com protestos

Segundo jornal, Bashar al-Assad afirma que polícia cometeu erros na repressão, mas que receberá novo treinamento

iG São Paulo |

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Sírios assistem discurso do presidente Bashar al-Assad em Damasco em 30/03/2011
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, admitiu que as forças de segurança do país "cometeram alguns erros" ao lidar com os protestos populares contra o governo realizados desde março. Assad, que está no poder há 11 anos, sucedeu ao seu pai, Hafez Al-Assad, que governou a Síria por 30 anos.

Os comentários de Bashar Al-Assad apareceram no meio de uma reportagem do jornal sírio Al-Watan, cujo assunto principal era um encontro entre o presidente e chefes tribais.

Na sexta-feira, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

Segundo a notícia do jornal, Assad afirmou que o problema das forças de segurança era a falta de treinamento para lidar com eventos da dimensão dos protestos populares que vêm ocorrendo. De acordo com o texto, Assad disse que os agentes de segurança receberão o treinamento adequado, e afirmou que a crise no país já foi superada pelo governo.

No entanto, testemunhas disseram que as forças de segurança da Síria deixaram pelo menos oito mortos nesta quarta-feira em Talkalakh, uma cidade do oeste do país cercada pelo Exército há vários dias. Várias pessoas ficaram feridas, segundo as fontes. Na terça-feira, moradores da localidade mencionaram um "massacre" na mesma cidade.

Na terça-feira, tanques sírios se movimentaram para uma cidade do sul, na Planície Hauran, depois de cercá-la por três semanas, disseram ativistas. Soldados fizeram disparos de metralhadoras para o ar, conforme tanques e veículos blindados entravam em Nawa, uma cidade de 80 mil habitantes 60 quilômetros ao norte da cidade de Deraa, de acordo com ativistas da região. "As tropas estão agora vasculhando os bairros em Nawa e prendendo dezenas de homens", afirmou um ativista.

Em Deraa, tanques permaneceram nas ruas depois que o bairro antigo da cidade foi bombardeado. Moradores fizeram relatos de valas comuns, mas as autoridades negaram . As cidades de Inkhil e Jassem também permaneceram sitiadas, disseram ativistas de direitos humanos, acrescentando que as prisões em massa continuaram na região da Planície Hauran e outras áreas.

Aumento da pressão externa

Na terça-feira, o Ocidente anunciou que aumentará a pressão sobre a Síria caso a repressão de protestos pró-democracia continuem. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a União Europeia e os Estados Unidos - que já impuseram sanções sobre uma série de altos funcionários sírios, mas não sobre o presidente Assad - estavam planejando novas iniciativas.

"Vamos tomar medidas adicionais nos próximos dias", afirmou Hillary, acrescentando que estava de acordo com a chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que disse que o tempo para a Síria fazer mudanças é agora.

Assad havia sido parcialmente reabilitado no Ocidente nos últimos três anos, mas o uso da força para reprimir a dissidência nos últimos dois meses inverteu essa tendência.

AP
Foto sem data feita de celular mostra soldados sírios em telhado de local não identificado (13/05/2011)
O chanceler francês, Alain Juppé, disse na terça-feira que a França e a Grã-Bretanha estavam quase conseguindo nove votos a favor de uma resolução sobre a Síria no Conselho de Segurança da ONU, mas Rússia e China ameaçavam usar o seu veto.

Metade dos 50 parlamentares do Kuwait pediu, na terça-feira, que o Estado árabe do Golfo Pérsico corte seus laços com a Síria e expulse o embaixador, em protesto contra a violência na repressão aos protestos.

Desde que Assad enviou tanques para Deraa há três semanas, o Exército avançou em vários outros centros de protesto no sul, nos arredores da capital, Damasco, e na costa do Mediterrâneo. O governo responsabiliza pela maior parte da violência grupos armados apoiados por islamitas e os forças externas, dizendo que eles mataram mais de 120 soldados e policiais.

Assad tentou realizar uma mistura de reforma e de repressão para conter os protestos, que foram inspirados por levantes em todo o mundo árabe .

Autoridades dizem que ele pretende lançar negociações de diálogo nacional, um gesto rejeitado por líderes da oposição e ativistas do grupo principal do protesto, que argumentam que as forças de segurança devem primeiro parar de atacar os manifestantes e que os prisioneiros políticos devem ser libertados.

*Com BBC, AFP e Reuters

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