Líder militar de rebeldes líbios foi 'morto por milícia islâmica'

Governo de Kadafi diz que morte de Abdel Fattah Younes mostra que oposição não é capaz de governar a Líbia

BBC Brasil |

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A liderança rebelde da Líbia disse que membros de uma milícia islâmica ligada à oposição são os responsáveis pela morte do líder militar dos rebeldes, general Abdel Fattah Younes. O corpo de Younes foi encontrado na última sexta-feira, junto com o de dois de seus assessores, nos arredores de Bengazi.

Neste sábado, o ministro de Finanças e Petróleo dos rebeldes, Ali Tarhouni, afirmou que o general foi morto na última quinta-feira por guerrilheiros ligados à Brigada Obaida Ibn Jarrah, um grupo islâmico.

Reuters
Rebelde líbio chora durante funeral de Abdel Fattah Younes em Benghazi (29/07)

O general - ex-ministro do Interior que ocupou um lugar-chave no regime do coronel Muamar Kadafi desde o golpe de 1969 - desertou e se juntou aos rebeldes no começo da revolta popular líbia, em fevereiro.

'Tapa na cara'

Tarhouni disse a repórteres em Bengazi que um líder da milícia islâmica deu informações aos rebeldes sobre as circunstâncias da morte de Younes.

Ele afirmou que o general e seus assessores foram mortos a tiros depois de serem convocados para um interrogatório perante um comitê que investigava sua lealdade à oposição. No entanto, o ministro disse que o motivo dos assassinatos ainda está sendo investigado.

O governo do coronel Muamar Kadafi disse que os assassinatos comprovam que os rebeldes não são capazes de governar a Líbia.

O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que é "um tapa na cara dos britânicos (o fato de) que o conselho (Conselho Nacional de Transição, a coalizão rebelde) que eles reconheceram não tenha conseguido proteger seu próprio comandante militar).

Ibrahim disse ainda que Younes foi morto pela Al-Qaeda, repetindo a afirmação de que o grupo é a força mais poderosa dentro do movimento rebelde.

"Com estas ações, a Al-Qaeda quer marcar sua presença e sua influência na região. Os outros membros do Conselho Nacional de Transição sabiam sobre isso, mas não puderam reagir porque têm medo da Al-Qaeda", afirmou.

O analista da situação do Oriente Médio Shashank Joshi disse que a maior preocupação criada pelo incidente não é que o Conselho Nacional de Transição se fragmente antes da queda de Trípoli, mas, sim, que isso aconteça depois do fim do governo de Khadafi.

O correspondente da BBC em Misrata, Ian Pannell, diz que a morte do general Younes vai alimentar as suspeitas internacionais de que os rebeldes não merecem confiança.

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