Líder egípcio diz que o perigo do caos impede sua renúncia

Para se manter no poder, Hosni Mubarak diz temer mais confrontos se deixar a presidência, como pedem manifestantes

iG São Paulo |

Para se manter no poder, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, indicou ser o único capaz de evitar o caos no país. Em entrevista à rede ABC, nesta quinta-feira, Mubarak disse que deseja deixar o poder, mas teme o caos que pode ocorrer caso o faça.

O ditador egípcio afirmou "estar cheio de ser presidente", mas teme que o país afunde no caos", informou a repórter da ABC Christiane Amanpour, depois de 20 minutos de entrevista no Cairo.

"Não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Agora eu estou preocupado com o meu país, eu me importo com o Egito", disse Mubarak, no décimo dia seguido de protestos contrários ao governo . "Estou muito triste com (o que aconteceu) ontem. Não quero ver os egípcios lutando entre si", disse sobre os choques entre manifestantes pró e contra o governo, na quarta-feira.

A entrevista ocorreu no Palácio Presidencial do Cairo, que está sob forte vigilância, com o filho de Mubarak, Gamal, sentado ao lado do presidente. "Eu não pretendia concorrer novamente. Nunca tive a intenção de tornar Gamal presidente depois de mim", disse Mubarak, segundo a repórter.

De acordo com Amanpour, ele disse ter sentido alívio ao anunciar em um discurso à nação feito na sexta-feira que não concorreria novamente nas eleições presidenciais. Questionado sobre como estava se sentindo em meio a protestos que pedem sua renúncia, ele respondeu: "Estou me sentindo forte. Não me candidataria novamente. Vou morrer em solo egípcio".

Irmandade Muçulmana

Recém-nomeado vice de Mubarak, Omar Suleiman disse nesta quinta-feira ter convidado a Irmandade Muçulmana, maior grupo opositor, para dialogar. O grupo, no entanto, rejeitou "categoricamente" a oferta de diálogo com o governo. "A Irmandade Muçulmana rejeita categoricamente qualquer diálogo com o regime sem qualquer hesitação", afirmou o porta-voz Mohammed Mursi, em comunicado no site do grupo. "Não há sentido em qualquer diálogo com um regime ilegítimo", completou o grupo.

*Com AFP

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