Líder do Iêmen diz que se defenderá 'por todos os meios'

Sob pressão de protestos, Saleh pede reflexão de militares que desertaram do regime; oposição planeja grande marcha amanhã

iG São Paulo |

AP
Manifestante antigoverno participa de manifestação pela renúncia do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, em Sanaa
Cada vez mais isolado por uma revolta popular, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disse nesta quinta-feira que se defenderá por "todos os meios possíveis" e fez um apelo aos militares que desertaram do regime para que "reflitam".

"Vamos nos manter junto à legalidade constitucional e preservar a segurança, a independência e a estabilidade do Iêmen por todos os meios possíveis", disse.

Enfrentando crescentes protestos contra suas três décadas no poder e a deserção de seu principal general para o lado dos manifestantes que exigem democracia, Saleh ofereceu uma nova eleição presidencial em janeiro de 2012, em vez de setembro de 2013, quando seu mandato termina. No comunicado transmitido nesta quinta-feira, o presidente prometeu transmitir o poder pacificamente.

"Não há nenhuma maneira por qualquer meio ou circunstância de o sistema político se oferecer para ir à forca", disse Saleh. "Por todos os meios se caminha para o diálogo político, e o poder poderá ser transferido pacificamente por meio de instituições constitucionais."

Em um encontro com oficiais do Exército e da polícia leais ao regime, o mandatário pediu "vigilância" na véspera de uma nova jornada de mobilização de jovens manifestantes e de seus partidários, que planejam uma manifestação chamada "Sexta-feira da Partida".

O chefe de Estado também criticou a oposição parlamentar, que defende os protestos populares, ao considerar que, "se nos envolvermos em um acordo com eles (líderes da oposição), a situação será pior". Mesmo assim, convidou os oficiais e militares que desertaram para que "reflitam" depois de terem cometido uma "estupidez".

Os jovens manifestantes, que realizam protestos na Praça da Universidade de Sanaa há mais de um mês, decidiram fazer uma "jornada para a saída de Ali Abdullah Saleh" e marchar até o palácio presidencial na sexta-feira. Em resposta, ó presidente pediu a seus partidários que se reúnam em uma praça próxima ao palácio presidencial, a vários quilômetros do centro de Sanaa, longe da Praça da Universidade.

O Exército está dividido depois da deserção de seu líder, o general Mohsen Ali al-Ahmar , que se uniu aos manifestantes. Um novo incidente entre unidades rivais no sudeste do país deixou três feridos nesta quinta-feira.

*Com AFP e Reuters

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