Líder do Iêmen descarta renunciar enquanto promete transição

Em primeiro discurso desde retorno ao país, Saleh sugere que convocará eleições antecipadas e acusa oposição de assassinatos

iG São Paulo |

AP
Imagem de TV estatal do Iêmen mostra Saleh fazendo primeiro discurso desde volta ao país
O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, afirmou neste domingo que está comprometido com uma transferência de poder, mas descartou renunciar. Segundo o líder iemenita, a transição seria feita por meio de eleições. "Falamos em várias ocasiões sobre uma transição pacífica do poder, através das urnas", disse. "Vamos ao diálogo, entendimento e mudança pacífica de poder por meio de eleições, eleições presidenciais antecipadas", completou.

As declarações foram feitas em um pronunciamento transmitido pela televisão, o primeiro desde que ele voltou ao país , na sexta-feira, após mais de três meses de tratamento médico na Arábia Saudita.

Durante o discurso, Saleh voltou a acusar a oposição de cometer crimes como assassinatos e saques, além de apoiar o braço da rede terrorista Al-Qaeda no Iêmen.

O líder, que ficou ferido durante um ataque ao palácio presidencial em junho, parecia em boas condições de saúde, mas estava com o rosto bastante queimado e um turbante na cabeça.

O retorno de Saleh acontece em meio a uma escalada de violência no Iêmen. Neste domingo, soldados iemenitas mataram dois combatentes tribais e feriram 18 manifestantes antigoverno na região montanhosa de Naham e em Sanaa, segundo ativistas.

Em Sanaa, soldados usaram munição contra manifestantes enquanto eles faziam uma passeata nas ruas da capital. "Vi soldados em cima de edifícios e pontes", afirmou Mohammed al-Mas, 21 anos.

A Casa Branca reagiu ao retorno de Saleh exigindo que cumpra acordo firmado com o Conselho de Cooperação do Golfo e abandone o poder. O porta-voz Jay Carney condenou o uso da violência no Iêmen e lançou um chamado a Saleh para que abandone o poder e permita que o país árabe "vire a página".

Saleh anunciou diversas vezes neste ano que concordaria em deixar o poder, mas voltou atrás em todas as ocasiões. A oposição teme que a última medida tomada pelo presidente, de permitir que seu vice-presidente negocie a transição , seja somente mais uma tentativa de ganhar tempo.

Com BBC, EFE, AFP e Reuters

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