Líder da Síria diz que derrotará 'complô' contra seu governo

Sob pressão, Bashar al-Assad frustra expectativas e não anuncia suspensão de estado de emergência que vigora há 50 anos

iG São Paulo |

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou nesta quarta-feira que vai derrotar o que chamou de "complô" contra seu país. Em discurso ao Parlamento, o primeiro desde o início dos protestos contra seu governo que começaram há quase duas semanas, Al-Assad frustrou as expectativas ao não anunciar reformas políticas ou o fim do estado de emergência no país, que vigora há 50 anos.

AP
Sírios assistem discurso do presidente Bashar al-Assad em Damasco

"A Síria é alvo de um grande complô vindo de fora", disse ele, acrescentado que os manifestantes foram "ludibriados" para sair às ruas. Ele também acusou emissoras de televisão via satélite e outros meios de comunicação de "fabricarem mentiras".

No breve pronunciamento, ele não mencionou a possível suspensão do estado de emergência e fez apenas uma rápida referência a possibilidade de promover reformas políticas. "Somos favoráveis a reformas e a atender às demandas da população", afirmou. "Mas a prioridade é manter a estabilidade na Síria."

Horas depois do discurso, moradores da cidade portuária de Latakia disseram que soldados atiraram durante um protesto antigoverno que reuniu cerca de cem manifestantes. Não estava claro se as forças de segurança estava atirando contra os manifestantes ou para o alto.

O pronunciamento de Assad era aguardado dentro e fora da Síria como o momento em que o líder detalharia seu plano para pôr fim à crise, que incluiria a suspensão do estado de emergência. Na tentativa de conter os protestos, na semana passada o governo sírio prometeu estudar o relaxamento de leis que governam a mídia e o sistema de partidos políticos, assim como o estabelecimento de leis anticorrupção.

Na terça-feira, o gabinete do país pediu demissão enquanto dezenas de milhares de partidários atenderam a um pedido do governo e saíram às ruas para apoiar Assad.

De acordo com grupos de defesa dos direitos humanos as quase duas semanas de protesto contra o regime de Assad já deixaram mais de 60 mortos. Fontes ligadas à oposição dizem que o número de mortos é ainda maior e passa de cem.

Os protestos são a maior ameaça a Assad, de 45 anos, que sucedeu seu pai, Hafez, depois de sua morte em 2000. A tensão continua em muitas cidades, principalmente em Deraa e Latakia.

A crise começou na sexta-feira passada (18), quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por terem escrito frases contra o governo em um muro. Na quarta-feira (23), violentos confrontos aconteceram depois que as forças de segurança ameaçaram invadir uma mesquita. A justificativa era a de que a mesquita estava sendo usada por gangues para estocar arma e transformar crianças em escudos humanos.

Centenas de pessoas se reuniram no local para impedir a invasão. Há relatos de que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão, o que governo nega. O regime tem atribuído os atos de violência a "desordeiros" que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes.

Com AP e BBC

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