Líbia oferece recompensa de US$ 400 mil por líder da oposição

Governo dará R$ 663 mil por captura de ex-ministro da Justiça que renunciou para se juntar à revolta anti-Kadafi

iG São Paulo |

O governo da Líbia ofereceu uma recompensa de 500 mil dinares líbios (cerca de US$ 400 mil e R$ 663 mil) pela captura de Mustafá Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça que renunciou ao cargo para apoiar os protestos contra o regime, tornando-se presidente do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR).

A TV estatal líbia afirmou que qualquer informação que leve à prisão de Jalil também será recompensada com 200 mil dinares líbios (equivalente a US$ 163 mil e R$ 270 mil) pagos pelo Departamento Geral de Investigação Criminal do país.

O anúncio sobre a recompensa foi transmitido pela TV estatal em caráter urgente e em três idiomas: árabe, inglês e francês. Na mensagem, Jalil foi descrito como "espião".

AFP
Mustafá Abdel Jalil concede entrevista coletiva em Benghazi (05/03)

Jalil renunciou ao cargo de ministro em 21 de fevereiro, dias após o início da revolta popular contra o líder da Líbia, Muamar Kadafi. O atual líder da oposição disse que a renúncia era em protesto contra o uso de força contra manifestante antigoverno.

Os confrontos entre forças leias a Kadafi e opositores teriam deixado mais de mil mortos desde o início da revolta, há três semanas. Mais de 215 mil - a maioria trabalhadores imigrantes - deixaram o país, segundo estimativas da ONU.

Confrontos

As forças de Kadafi intensificaram nesta quarta-feira uma ofensiva com uso de tropas, apoio aéreo e artilharia para reconquistar o enclave petroleiro de Ras Lanuf, a 350 quilômetros a oeste de Benghazi, epicentro dos protestos antigoverno e reduto da oposição no leste do país.

Os soldados castigam Ras Lanuf desde domingo, após ter conseguido deter o avanço dos milicianos em Ben Jawad, no meio do caminho entre Ras Lanuf e Sirte, cidade natal e reduto do líder Muamar Kadafi. Os ataques aéreos começaram cedo em Ras Lanuf, embora, segundo um porta-voz rebelde citado pela rede árabe Al-Jazeera, os milicianos combatam também nas proximidades de Ben Jawad.

Após o meio-dia, um forte bombardeio aéreo sobre o porto de Ras Lanuf pode ter alcançado alguma das instalações que abrigam depósitos de petróleo, pois três espessas colunas de fumaça subiram ao céu.

Por meio de sua conta no Twitter, o Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR) fez um alerta sobre a nova ofensiva das tropas pró-Kadafi, que atacam principalmente pelo oeste enquanto os milicianos tentam manter suas posições.

Em meio a um intenso bombardeio, a correspondente da Al-Jazeera no local indicou que, presumivelmente, as três colunas de fumaça preta podiam proceder das instalações do terminal petrolífero, que conta com um porto e dois pequenos aeroportos, embora não haja confirmação definitiva sobre sua origem.

De acordo com seu relato, o ataque procede de todos os pontos, e principalmente do oeste de Ras Lanuf. Os rebeldes responderam com fogo intenso após o bombardeio aéreo, e existe o temor de que os combates alcancem mais depósitos do terminal onde diariamente podem ser exportados 200 mil barris de petróleo e atinjam as instalações onde são armazenados produtos de alta periculosidade.

Os milicianos que empreenderam a retirada no domingo após a contraofensiva pró-Kadafi receberam desde a segunda-feira reforços de rebeldes e também armamento pesado, mas lutam em inferioridade de condições frente ao material artilheiro e as forças de Kadafi, cobertas desde o ar.

Muitos dos rebeldes permanecem juntos ao lado de seus veículos e são um fácil alvo para os ataques das tropas pró-Kadafi.

Batalha por Zawiya

A rede de televisão estatal da Líbia afirmou nesta quarta-feira que a cidade de Zawiya, a leste da capital, Trípoli, foi retomada pelas forças leais a Kadafi.

A informação ainda não foi confirmada por fontes independentes. Tropas leais ao líder líbio estariam visando alvos no subúrbio da cidade e tentando retomar o controle da praça principal.

Zawiya, que foi tomada por forças opostas ao regime há duas semanas, vem sofrendo pesados bombardeios. Há informação de que as incursões aéreas deixaram dezenas de mortos.

Em entrevista à TV turca TRT, Kadafi disse nesta quarta-feira que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como vários líderes rebeldes vêm pedindo. Khadafi afirmou que países ocidentais querem impor a zona de exclusão aérea para "tomar o petróleo líbio". "Se eles tomarem essa decisão, será útil para a Líbia, porque o povo líbio verá a verdade, que o que eles querem é assumir o controle da Líbia e roubar seu petróleo", disse. "Então o povo líbio pegará em armas contra eles", afirmou.

Países ocidentais vêm discutindo a possibilidade de impor uma zona de restrição a voos sobre a Líbia para impedir ataques aéreos de forças leais ao governo contra rebeldes. Os EUA se opuseram à medida, e afirmam que qualquer decisão a respeito deve ser tomada pela ONU.

Com EFE e BBC

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