Líbia nomeia engenheiro para cargo de premiê interino

Depois de votação entre membros do Conselho Nacional de Transição, Abdel Rahim al-Kib substitui Jibril no comando do governo

iG São Paulo |

As autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia nomearam nesta segunda-feira o engenheiro eletrônico Abdel Rahim al-Kib como novo primeiro-ministro, no lugar de Mahmoud Jibril.

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Reuters
Novo premiê nomeado na Líbia Abdul al-Raheem al-Kib (esquerda) cumprimenta presidente do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdul Jalil

O governo interino líbio fez o anúncio dias depois de libertar oficialmente o país , após a morte do ex-líder deposto Muamar Kadafi em 20 de outubro. A nomeação coincide com a visita do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) , Anders Fogh Rasmussen, no último dia das operações militares que ajudaram a derrubar o ditador.

O novo governante ressaltou o compromisso das novas autoridades do país em contruir um Estado democrático e que respeite os direitos humanos. "Estamos envolvidos na construção de uma nação que não aceitara violações dos direitos humanos", afirmou al-Kib.

Em entrevista coletiva, o dirigente afirmou que a atual situação da Líbia foi alcançada pela "vontade do povo", referindo-se à revolta contra Kadafi, que começou em 17 de fevereiro. Al-Kib disse que os novos dirigentes desejam manter "uma relação privilegiada com os países vizinhos", desligada de qualquer vínculo com o antigo regime. "O mundo deve respeitar a Líbia e seus interesses."

Ele disse que é preciso construir um novo país, "sobre a base da confiança, respeito e fraternidade, para alcançar deste modo a estabilidade que tanto deseja e necessita Líbia".

O CNT prometeu realizar eleições depois de oito meses para uma assembleia nacional que trabalhará durante um ano na elaboração de uma nova Constituição antes de um votação parlamentar multipartidária.

Abdel Rahim al-Kib, também um acadêmico de Trípoli, recebeu 26 dos 51 votos dos membros do CNT, vencendo quatro candidatos. Mahmoud Jibril preferiu não tentar a eleição. A votação, segundo a Reuters, foi feita diante de repórteres.

A eleição começou por volta das 19h40 no horário local (15h40 no horário de Brasília) e o presidente do CNT, Mustafá Abdul Jalil, foi o primeiro a votar. "Essa eleição prova que os líbios são capazes de contruir seu futuro", declarou Abdul Jalil.

Al-Kib deve apontar um novo gabinete nos próximos dias. O novo conselho interino governará a Líbia até a realização das eleições.

Kib substitui Jibril, que disse que sairia do poder uma vez que a Líbia estava oficialmente "libertada" - o que aconteceu em 23 de outubro.

O porta-voz Jalal el-Gallal disse que o CNT queria formar um novo governo interino depois da queda de Kadafi, porque seus membros oficiais estavam improvisados no poder, segundo a AP.

Desafio aos novos líderes

Em entrevista ao Washington Post, a secretária de Estado americana afirmou considerar que os novos líderes líbios têm "uma tarefa política muito complicada pela frente", mas prometeu uma ampla ajuda dos EUA. "(Eles) têm uma tarefa política muito complicada pela frente, e não têm muita experiência no que nós consideramos política", disse Hillary.

O conflito líbio terminou de maneira polêmica com a morte de Kadafi em 20 de outubro , uma ação que foi criticada até mesmo por aliados ocidentais do regime interino, o CNT.

Leia também: Fim sem misericórdia levanta questão: quem matou Kadafi?

A Otan conclui sua missão na Líbia nesta segunda-feira por considerar que cumpriu o mandato de proteger os civis. Ao mesmo tempo, a Aliança Atlântica exigiu que o novo regime construa uma democracia com base nos direitos humanos.

Segundo a secretária de Estado, as novas autoridades terão de unificar a nação. "Isso será um enorme desafio. Eles têm de descobrir como reconciliar os vários credos políticos e religiosos. Têm que unificar todas as tribos. Têm de encarar a rivalidade que sempre existiu entre oeste e leste, entre Benghazi e Trípoli. E terão de ser muito claros sobre sua agenda e como ajudarão a satisfazer as necessidades dos distintos grupos."

Com AP, Reuters e BBC

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