Líbia de Kadafi possuía armas químicas em esconderijo

Estoque não declarado foi descoberto por inspetores internacionais no país; novo governo deve estabelecer prazo para destruição

iG São Paulo |

Reuters
Muamar Kadafi, em foto de 2009
Inspetores internacionais confirmaram que o ex-ditador da Líbia Muamar Kadafi tinha um estoque não declarado de armas químicas, anunciou nesta sexta-feira uma organização que supervisiona uma proibição global sobre esse tipo de armamento.

Leia também: Agências britânicas serão investigadas por 'rendição' ilegal de líbios

A Organização pela Proibição de Armas Químicas afirmou que os inspetores que visitaram a Líbia essa semana encontraram gás mostarda e artilharia "que foram determinadas como munições químicas", o que significa que a artilharia não continha substânicas químicas em seu interior, mas foi concebida especificamente para isso.

"Elas (as armas) não estão preparadas para o uso, porque não estão preenchidas com agentes químicos", afirmou o porta-voz da organização, Michael Luhan.

Ele não divulgou a quantidade de produtos químicos no estoque que até então era desconhecido.

Os novos governantes da Líbia afirmaram à organização com base em Haia sobre as armas químicas no ano passado, depois de terem derrubado Kadafi do poder . O líder da Líbia por 42 anos foi morto em outubro depois de ter sido capturado por combatentes rebeldes.

Os armamentos químicos recém-confirmados estão armazenados no depósito em Rueagha, do sudeste da Líbia, junto às outras armas do tipo que Kadafi havia declarado às autoridades internacionais em 2004, enquanto tentava se livrar de seu isolamento internacional e reconstruir os laços com o Ocidente.

Ele declarou que seu regime tinha 27,6 toneladas de mostarda de enxofre e 1,543 toneladas de reagentes usados para fazer armas químicas. Seu regime tamém afirmou que possuia mais de 3,5 mil bombas projetadas para serem usadas com agentes químicos e três instalações de produção desse tipo de armamento.

Esses estoques estavam sendo destruídos até que um problema técnico obrigou a suspensão das operações no ano passado, ao mesmo tempo em que a revolta popular , que deu fim ao regime do ditador, teve início.

Era para a Líbia ter finalizado a destruição de suas armas químicas em 29 de abril desse ano, mas não pode mais cumprir com esse prazo por conta da revolta que evolui para guerra civil no ano passado. O novo governo do país tem até essa data para apresentar um plano e propor um novo prazo para destruir todo seu estoque de armamentos químicos.

Com AP

    Leia tudo sobre: líbiakadafiarmas químicasmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG