Líbia critica EUA por uso de aviões não-tripulados

Autoridade líbia diz que decisão americana de enviar "Predators" ao país causará mais mortes de civis

iG São Paulo |

O governo da Líbia criticou nesta sexta-feira a decisão dos Estados Unidos de enviar aviões não-tripulados para o país como parte das operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para o vice-ministro das Relações Exteriores líbio, Khaled Kaim, a medida causará mais mortes de civis.

Em entrevista à BBC, Kaim disse que mais ataques aéreos irão minar quaisquer argumentos por parte da Otan e dos Estados Unidos de que a operação militar no país representa um apoio à democracia na Líbia. "Eles afirmam que estão apoiando a democracia. Apoiar a democracia, penso eu, é ajudar as pessoas a se sentarem juntas e conversarem juntas sobre o futuro'', afirmou.

AFP
Rebelde toma posição na cidade de Misrata (21/04)

O vice-ministro líbio acrescentou que ''cabe aos líbios escolher seu futuro'' e que isso não se dará com ''o envio de mais armamentos ou com a realização de mais ataques aéreos ou mais dinheiro e armamentos aos rebeldes". "Creio que o que eles estão fazendo é antidemocrático e ilegítimo", disse a autoridade líbia. "Espero que eles revejam essa decisão.''

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que os aviões não-tripulados Predator, armados com mísseis, teriam condições de atingir alvos militares do regime líbio de forma mais eficaz. Gates negou que o envio dos aviões represente um aumento do envolvimento americano na Líbia.

Autorização

O secretário de Defesa afirmou que a autorização para o uso dos aviões Predator já foi dada pelo presidente Barack Obama. "O presidente disse que, onde temos algumas capacidades únicas, ele está disposto a usá-las", disse Gates, em entrevista à imprensa. "E na verdade ele aprovou o uso de aviões Predator armados, e eu acho que hoje será a sua primeira missão", afirmou.

Aviões não-tripulados já são usados pelos Estados Unidos na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. O secretário de Defesa disse que a decisão de usar os aviões na Líbia se deve "à situação humanitária" no país e dará "precisão" às ações americanas.

Segundo Gates, o envio dos aviões à Líbia representa uma "modesta contribuição" dos Estados Unidos aos esforços da comunidade internacional. O país participa dos esforços coordenados pela Otan em apoio aos rebeldes que lutam contra o regime do líder líbio, Muamar Kadafi.

A ação militar na Líbia foi autorizada no mês passado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger os civis de ataques das forças leais a Kadafi. Os rebeldes controlam parte do leste do país, mas as forças de Kadafi dominam boa parte do oeste e a capital, Trípoli.

Nesta quinta-feira, os rebeldes assumiram o controle de um posto na fronteira com a Tunísia, em uma ação considerada um raro avanço contra as tropas leais a Khadafi no oeste do país.

Com BBC

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