Líbia comemora um ano do levante, mas teme ação de milícias

População marca aniversário de revolta popular que provocou fim de regime de mais de quatro décadas de Muamar Kadafi

BBC Brasil |

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Os líbios marcam nesta sexta-feira o aniversário do levante que provocou a queda do regime de mais de quatro décadas de Muamar Kadafi . Festas estão planejadas em diversas cidades em todo o país. Em Benghazi, onde o levante começou, o aniversário já vem sendo comemorado há dias.

Apesar das comemorações, o país ainda enfrenta dificuldades e instabilidade. Centenas de milícias estão agindo pelo país - com acusações de torturas e execuções - sem que o governo consiga reagir. O líder interino da Líbia, Mustafá Abdul Jalil, prometeu na quinta-feira que o governo responderá duramente a qualquer ameaça à segurança nacional durante as comemorações de sexta-feira.

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Reuters
Líbios comemoram uma ano da revolta popular contra Muamar Kadafi em Benghazi

O levante começou no dia 17 de fevereiro de 2011 com uma grande manifestação contra Kadafi em Benghazi . Rapidamente os protestos tomaram o país, levando a uma intervenção militar da Otan . O conflito acabou no dia 20 de outubro, com o assassinato de Kadafi em sua cidade natal, Sirte.

O governo decidiu não promover nenhuma festa oficial, em respeito às milhares de pessoas que morreram no conflito. Mas isso não tem impedido o povo de celebrar. Na quinta-feira, moradores foram às ruas de Benghazi com seus carros para festejar. Na capital, Trípoli, alguns pontos de checagem foram montados para revistar as pessoas, na tentativa de impedir qualquer tipo de ataque.

Em um pronunciamento na TV, Jalil disse que seu governo "abriu os braços para todos os líbios, sejam eles apoiadores da revolução ou não".

Apesar do pronunciamento, o governo não tem conseguido lidar com os thuwwar, que são brigadas de ex-combatentes.

Os thuwwar têm atacado ex-aliados do regime de Khadafi, provocando instabilidade e medo no país.

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O correspondente da BBC em Trípoli Gabriel Gatehouse disse que o governo não conseguiu convencer os thuwwar a devolverem suas armas ou se juntarem ao Exército nacional.

Teme-se que se o governo não conseguir controlar e desarmar esses grupos logo, o país terá que voltar a um cenário de conflito. Na quarta-feira, a organização de direitos humanos Anistia Internacional denunciou a ação das milícias. De acordo com a Anistia, esses grupos têm promovido julgamentos sumários, cometendo torturas e matando antigos colaboradores de Kadafi.

O principal alvo são refugiados e os imigrantes de países da África negra, como o Níger, que lutaram ao lado de Kadafi. A Anistia Internacional diz que o governo interino tem responsabilidade nos ataques ao não agir para preveni-los nem para contê-los.

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