Líbia acusa Otan de bombardear área residencial em Trípoli

Aliança Ocidental diz que investiga suposto bombardeio que teria deixado ao menos nove mortos na capital líbia

BBC Brasil |

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A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) diz estar investigando o suposto bombardeio de uma área residencial da capital da Líbia, Trípoli. O governo acusa a coalizão ocidental pelo ataque. Um correspondente da BBC viu pelo menos dois corpos sendo levados de uma casa atingida. Segundo o governo, os ataques deixaram ao menos nove civis mortos.

O prédio destruído, de três andares, fica em Souk Al-Juma, uma área residencial localizada a cerca de 1,5 km de um campo de pouso militar que já foi diversas vezes atacado pelas forças ocidentais.

AFP
Em foto tirada em tour do governo pessoas são vistas em frente de destroços de casas em Trípoli que, segundo autoridades líbias, foram destruídas em bombardeio da Otan
O correspondente da BBC em Trípoli Jeremy Bowen afirma que, ao chegar ao local do incidente, levado por representantes do governo, viu equipes de resgate e moradores escavando em meio aos destroços, em sua maior parte com as próprias mãos, procurando por sobreviventes ou por corpos.

Vizinhos afirmam que a explosão ocorreu pouco depois de 1h deste domingo (20h de sábado, pelo horário de Brasília). Segundo Bowen, o prédio atingido parecia ser a casa de uma família, tendo sinais genuínos de um ataque aéreo ou com mísseis.

Bowen afirma ainda que, dessa vez, ao contrário de casos anteriores de supostos alvos civis atingidos por forças da Otan, não foram vistas pessoas tremulando bandeiras em defesa do líder líbio, coronel Muamar Kadafi.

Esse incidente se segue a um bombardeio por engano da Otan contra combatentes rebeldes perto da cidade de Ajdabiya, no leste da Líbia, na quinta-feira. Na ocasião, 16 homens ficaram feridos. A coalizão militar se desculpou pelo caso.

Segundo o correspondente da BBC, caso o incidente deste domingo se confirme como um ataque da Otan, questões poderão ser levantadas sobre o que a coalizão internacional está fazendo na Líbia e sobre os resultados que ela está obtendo.

Sem dinheiro

Enquanto isso, o ministro de Finanças e de Petróleo dos rebeldes líbios, Ali Tarhouni, diz que os insurgentes estão sem dinheiro e acusa os países ocidentais de falta de apoio logístico e financeiro.

Em entrevista à agência Reuters, Tarhouni disse que a produção de petróleo nas cidades controladas pelos rebeldes está paralisada por causa dos danos causados pelo conflito. No entanto, o ministro disse estar confiante na reversão do quadro.

Além disso, Tarhouni disse já estar em negociação com grandes companhias petrolíferas ocidentais, com quem pretende lançar parcerias estratégicas.

No entanto, segundo a correspondente de diplomacia da BBC Bridget Kendall, que está em Benghazi, principal base dos insurgentes, o apoio dos aliados em termos de ataques contra posições de Kadafi parece, de formas gerais, continuar forte.

Kendall afirma que há muita preocupação e frustração em Benghazi a respeito do conflito, que já se estende há quatro meses, desde que o regime líbio reprimiu com violência manifestações populares que exigiam reformas e a saída de Kadafi do poder.

A correspondente da BBC diz, no entanto, que essa frustração parece se originar mais da impaciência dos rebeldes do que de qualquer tipo de hostilidade contra os países ocidentais.

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