Levante na Síria deixou mais de 8 mil mortos, diz ONU

Ativistas, porém, indicam que total seria de quase 10 mil; monitores internacionais inspecionarão cidades no fim de semana

iG São Paulo |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira que bem mais de 8 mil morreram na Síria desde março do ano passado como resultado da repressão sangrenta do governo contra os manifestantes, enquanto ativistas da oposição disseram que o número é de quase 10 mil, em sua maioria civis. Anteriormente, a ONU apontava o número de mortos em 7,5 mil. A nova estimativa de vítimas foi divulgada no dia que marca o primeiro aniversário do levante .

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Ban disse que a "repressão brutal" das autoridades sírias continua imbatível e classificou a atual situação de "indefensável", de acordo com o porta-voz da ONU Martin Nesirky.

"Mais de 8 mil morreram como resultado da decisão do governo de escolher a repressão violenta em vez do diálogo político pacífico e da mudança genuína", disse Nesirky. "É urgente pôr fim ao círculo da violência, parar as operações militares contra os civis e evitar uma maior militarização do conflito na Síria."

Ban conclamou o governo e a oposição a cooperar com o enviado especial Kofi Annan para pôr fim ao banho de sangue e encontrar uma solução política, afirmou Nesirky.

A ONU também anunciou nesta quinta-feira que um grupo de especialistas da organização participará de uma missão humanitária que o regime sírio realizará no próximo final de semana em várias cidades onde houve protestos.

A chefe para assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, assinalou que uma equipe conjunta da ONU e da Organização de Cooperação Islâmica fará parte da missão que visitará Homs, Hama, Tartus, Lattakia, Aleppo, Dayr Az Zor, zonas rurais nos arredores de Damasco e Deraa.

Mas Amos enfatizou que "é de importância vital que organizações humanitárias tenham acesso sem obstáculos para identificar as necessidades e, de maneira urgente, proporcionar atenção de emergência e fornecimento de materiais básicos. Não há tempo a perder".

"Repito meus apelos ao governo da Síria para que permita às organizações humanitárias tenham acesso sem obstáculos, pois elas podem ajudar as pessoas necessitadas de forma neutra e imparcial", afirmou em um comunicado. Amos se reuniu com funcionários do governo do presidente Bashar al-Assad em Damasco na semana passada.

Num dia de mais violência no país árabe, o governo turco afirmou que quase 1 mil sírios, incluindo um general desertor, buscaram refúgio na Turquia nas últimas 24 horas, elevando para quase 15 mil o número total de refugiados sírios em seu território.

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De acordo com o vice-premiê turco, Besir Atalay, "o governo sírio tem colocado minas e adotado outras medidas para não permitir que os refugiados cruzem a fronteira". Segundo o chefe do Crescente Vermelho turco, Ahmet Lüfti Akar, a Turquia teme que a quantidade de pessoas que estão fugindo da Síria chegue eventualmente a 500 mil.

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