Khamenei diz que protestos no Egito são 'despertar islâmico'

Líder supremo do Irã afirma que Revolução Islâmica de 1979 serviu de exemplo para manifestantes egípcios

BBC Brasil |

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AP
Partidários do governo iraniano queimam bandeira dos Estados Unidos durante manifestação a favor dos protestos no Egito em Teerã

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira que os protestos populares no Egito são um sinal do aumento da consciência islâmica na região e pediu a instalação de um regime islâmico no país.

Segundo ele, as manifestações no Cairo, que já duram 11 dias, e também os levantes que derrubaram o governo da Tunísia no mês passado, são uma consequência da Revolução Islâmica de 1979, que depôs o regime do xá Reza Pahlevi, apoiado pelos Estados Unidos.

Para Khamenei, a revolução serviu como exemplo para os povos que vivem "sob ditaduras semelhantes". "O despertar do povo islâmico egípcio é um movimento de liberação islâmico e eu, em nome do governo iraniano, saúdo o povo egípcio e o povo tunisiano", disse ele durante as orações de sexta-feira, transmitidas pela TV local.

Rivalidade histórica

Os países árabes, de maioria muçulmana sunita, têm uma rivalidade histórica com os iranianos, de origem persa e maioria muçulmana xiita. Em uma tentativa de aproximar os dois grupos, o líder supremo iraniano se disse um "irmão pela religião" do povo árabe.

Em declarações feitas em árabe, dirigidas ao público egípcio, Khamenei criticou ainda o presidente Hosni Mubarak, a quem chamou de "servo" de Israel e dos Estados Unidos. Para o aiatolá, os Estados Unidos sofrerão uma derrota irreversível na região se Mubarak for derrubado.

"Esses incidentes são extremamente importantes. Isso é um terremoto. Se a nação do Egito, com a ajuda divina, puder avançar com isso, então o que acontecerá com as políticas dos Estados Unidos na região será uma derrota irreparável para a América", afirmou Khamenei. "Hoje os israelenses estão mais preocupados com as consequências desse incidente do que as autoridades fugindo da Tunísia e do Egito", disse.

Oposição

As manifestações no Egito vêm gerando reações contrárias entre as autoridades e a oposição iranianas. O ex-candidato presidencial Mir Hossein Mousavi comparou os protestos no Egito às manifestações populares no próprio Irã em 2009, após as eleições presidenciais nas quais Mousavi foi derrotado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, acusado de fraude.

As manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad foram as maiores no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Na época, Khamenei criticou os protestos populares no Irã.

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