Kadafi teria feito proposta para deixar poder, diz jornal árabe

Segundo Asharq Alwasat, líder quer deixar Líbia em segurança; versão não foi confirmada por autoridades nem por rebeldes

iG São Paulo |

O jornal árabe Asharq Alawsat afirmou nesta segunda-feira que o líder líbio, Muamar Kadafi, teria se mostrado disposto a deixar o poder e abandonar a Líbia em troca de os rebeldes garantirem sua segurança e a de sua família.

O jornal disse que, "segundo fontes líbias da cidade de Benghazi", epicentro dos protestos e reduto rebelde, Kadafi teria pedido a um delegado para que falasse em seu nome perante o Conselho Nacional transitório anunciando sua disposição em abandonar o poder.

O líder líbio teria imposto como condição que os opositores o ajudem a abandonar a Líbia e a dirigir-se ao país de sua escolha, assim como garantir que não seja perseguido no exterior e chamado perante tribunais internacionais.

A versão não foi confirmada pelas autoridades líbias nem pelos porta-vozes do Conselho Nacional rebelde de Benghazi.

Conforme as fontes do " Asharq Alawsat", jornal editado em Londres e com grande influência no mundo árabe, Kadafi expressou sua determinação em entregar o poder ao comando rebelde, mas pediu que o ato de renúncia se celebre perante o Parlamento líbio.

"Que se reúna o Congresso Geral do Povo (Parlamento) para que Kadafi, durante a sessão de sua renúncia, entregue a autoridade ao Conselho Nacional sob a condição de que se garanta sua segurança, de sua família e seu dinheiro", indicaram as fontes. Segundo elas, "até agora não há uma resposta oficial à solicitação de Kadafi, nem a favor nem contra".

No entanto, apontaram que "a inclinação popular é rejeitar negociar e negar-se a dialogar com Kadafi seja qual for a circunstância".

Intervenção externa

Já o britânico The Independent, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos pediram à Arábia Saudita que preste auxílio militar para os rebeldes líbios para que não tenham de se envolver diretamente no conflito. O regime saudita não respondeu até agora ao pedido de Washington, mas o rei Abdullah odeia pessoalmente o chefe de Estado líbio, Muamar Kadafi, diz o periódico.

A solicitação da Casa Branca está na linha de cooperação entre Washington e Riad, escreve Robert Fisk, correspondente do jornal e especialista em Oriente Médio. Ele lembra que a Arábia Saudita apoiou os esforços dos EUA para rearmar as guerrilhas afegãs antissoviéticas e financiou o Taleban.

A Arábia Saudita é o único aliado dos EUA situado estrategicamente e em condições de fornecer armas em quantidade suficiente às guerrilhas líbias. Riad recebeu informações de que as guerrilhas que combatem Kadafi precisam de morteiros e defesa antiaérea para resistir aos ataques das forças leais ao coronel, bem como mísseis terra-ar para derrubar seus caças.

Em meio à intensificação da violência no país do norte da África, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, exigiu nesta segunda-feira uma transição líbia para a democracia e advertiu o regime de Kadafi que haverá uma reação internacional se continuar a violência.

"Se Kadafi e suas forças militares continuarem atacando sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique somente olhando", disse Rasmussen sobre uma possível intervenção no país. Segundo ele, os ataques contra populações civis na Líbia podem constituir crimes contra a humanidade.

Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a Aliança não tem por enquanto prevista nenhuma atuação militar, ressaltando que só intervirá se for solicitada e contar com um mandato apropriado das Nações Unidas.

O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, abriu na semana passada uma investigação contra Kadafi e altos funcionários do regime por supostos crimes contra a humanidade relacionados à repressão da revolta popular desde 15 de fevereiro.

"A resposta atroz de Kadafi aos protestos causou uma crise humanitária em nossa porta de entrada (Europa), que diz respeito a todos", afirmou Rasmussen.

*Com EFE e AFP

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