Kadafi tenta se manter no poder com repressão na capital líbia

Oponentes controlam quase toda metade oriental do país, mair parte da infraestrutura de petróleo e algumas cidades do oeste

iG São Paulo |

Os dois lados na crise líbia estão entrincheirados em suas posições nesta segunda-feira, com seu desfecho podendo depender de quem pode aguentar a situação por mais tempo. Os oponentes do líder líbio, Muamar Kadafi, incluindo unidades desertoras do Exército, têm sob seu controle quase toda a metade oriental do país, a maior parte da infraestrutura de petróleo e algumas cidades no oeste.

Kadafi está em Trípoli e em cidades próximas, apoiado por forças de segurança e milicianos que usualmente são mais bem armados do que o Exército.

Na tentativa de manter-se no poder, Kadafi aumentou a repressão em seu reduto na capital do país, impedindo uma tentativa de novos protestos, ao mesmo tempo em que escolheu o chefe da inteligência internacional da Líbia, Bouzaid Dordah, para conversar com os líderes do novo governo da região leste. Um porta-voz do recém-formado Conselho Nacional da Líbia, sediado na cidade de Benghazi, cidade que está sob controle dos rebeldes, disse no domingo que não via espaços para negociar com Kadafi.

Na região de Edjibiya, um avião da Força Aérea líbia, que é fiel ao líder líbio, bombardeou um depósito de armas perto do quartel de Hania, na região de Edjibiya, a cerca de 200 quilômetros a oeste de Benghazi, informou a Al-Jazeera. Edjibiya é uma localidade litorânea entre Benghazi e Sirte, a cidade natal de Kadafi, ainda em poder das forças governistas, para onde no domingo foram enviadas mais tropas e milícias.

Os rebeldes que pegaram em armas afirmaram que a região compreendida entre Edjibiya e a fronteira com o Egito está totalmente em seu poder. Foi nessa região que, em 23 de fevereiro, um avião militar líbio Sukhoi-22 das forças fiéis a Kadafi caiu depois que o piloto e o copiloto se lançaram de paraquedas por se recusar a bombardear Benghazi.

Na região de Edjibiya encontra-se um quartel da aviação militar líbia, cujos oficiais e soldados anunciaram há poucos dias que se somavam aos rebeldes.

Ofensiva rebelde

Do lado opositor, rebeldes líbios abateram nesta segunda-feira um avião militar, em meio aos combates pelo controle de Misrata (200 quilômetros a leste de Trípoli), terceira maior cidade do país, segundo testemunhas. Com apoio de militares que romperam com o governo, os rebeldes resistem às investidas das forças governamentais em Misrata e em Zawiyah (50 quilômetros a oeste), onde há uma refinaria estratégica.

"Um avião foi abatido quando estava bombardeando a emissora de rádio local. Os manifestantes capturaram os tripulantes", disse uma testemunha à Reuters por telefone. Segundo essa fonte, há confrontos pelo domínio de uma base aérea. "As forças de Kadafi controlam só uma pequena parte da base. Os manifestantes controlam uma parte grande, na qual há munição."

Estima-se pelo menos 2 mil tenham morrido na Líbia em cerca de duas semanas de protestos contra Kadafi. O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções ao regime, como um embargo de armas e congelamento de bens , além de alertar que os responsáveis pela violência contra civis serão submetidos à justiça internacional. Além das sanções da ONU, EUA e União Europeia também impuseram sanções ao regime.

Os chefes de política externa dos EUA, da Rússia, da União Europeia e de outros governos aproveitam uma conferência de direitos humanos em Genebra para realizar reuniões bilaterais, na tentativa de coordenar seus esforços.

Kadafi declarou que só pretende deixar o poder morto, mas nesta segunda-feira um porta-voz adotou um tom mais conciliador, e admitiu que as forças do governo alvejaram civis por estarem mal treinados. "Eles atiraram e mataram alguns civis", disse o porta-voz Mussa Ibrahim. "Nunca negamos que centenas de pessoas tenham sido mortas", afirmou, acrescentando que a revolta "começou como um movimento pacífico e genuíno".

"Também acreditamos que é hora de mudança", disse. "Mas esse movimento foi sequestrado pelo Ocidente (...) e por militantes islâmicos."

Analistas regionais acreditam que os rebeldes acabarão por tomar a capital, matando ou capturando Kadafi. Mas acrescentam que o ditador tem poderio suficiente para fomentar o caos ou uma guerra civil.

As forças de oposição controlam grande parte das instalações petrolíferas da Líbia, localizadas principalmente no leste do país, onde as forças pró-Kadafi se dissolveram. As exportações de petróleo foram praticamente paralisadas.

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