Kadafi repudia ONU e diz que "abriu fogo" contra rebeldes

Ditador disse não reconhecer decisão do Conselho de Segurança que deveria interferir apenas em assuntos internacionais

Reuters |

O ditador líbio Muamar Kadafi repudiou no domingo as novas sanções da ONU contra ele e disse que um pequeno grupo de rebeldes protestando contra seu poder foi cercado e irá fracassar. Em entrevista por telefone à rede de televisão sérvia Pink, ele disse que a decisão do Conselho de Segurança da ONU no sábado de impor sanções a viagens e ativos dele e de aliados próximos é "inválida e vazia".

"A ONU não tem o direito de se intrometer nos assuntos internos de outros países, a menos que o país esteja sendo atacado por outro", disse Kadafi à emissora de TV com sede em Belgrado. A emissora disse que Gaddafi falou de seu gabinete em Trípoli, capital da Líbia.

Kadafi acusou o Conselho de "tomar decisões com base em notícias na imprensa" e disse que a ONU deveria investigar a situação na Líbia.

"O povo da Líbia me apoia. Pequenos grupos de rebeldes estão cercados", disse ele. "O exército e a polícia abriram fogo contra essas pessoas, esses bandos, mas apenas algumas pessoas foram mortas", acrescentou. Ele negou que exista qualquer conflito no momento, dizendo que "atualmente não há incidentes, a Líbia está absolutamente em paz". O líder líbio repetiu que não deixará o país: "Estou aqui, não vou sair", afirmou.

Resolução unânime

Resolução aprovada no sábado pelos 15 membros do máximo organismo da ONU pede ao Tribunal Penal Internacional que imponha embargo total sobre as armas à Líbia, proíba Kadafi de viajar ao exterior e congele seus bens e de outras 21 pessoas de seu entorno, incluindo familiares e os altos cargos do governo.

A resolução autoriza também que o Tribunal Penal Internacional abra uma investigação sobre possíveis violações de direitos humanos durante os conflitos recentes. A ONU autorizou os Estados-membros a adotar todas as medidas necessárias para possibilitar o retorno das agências humanitárias à Líbia e assegurar a rápida e segura ajuda à população civil. "Obrigado pela adoção desta resolução. Representa apoio moral para o povo líbio", disse o embaixador da Líbia, Abdurrahman Shalgam, que a considerou um "sinal para por fim" ao regime de Kadafi.

Oposição se aproxima

Jornalistas convidados pelo governo da Líbia para ver a situação "tranquila" da cidade de Zawiya, perto da capital, testemunharam oposicionistas armados montando barricadas no centro da cidade e hasteando bandeiras.

A oposição líbia tomou o controle da cidade a oeste de Trípoli, que esta rodeada por tropas leais ao ditador Muamar Kadafi. Há receio de que um ataque ocorra. "Esperamos um ataque a qualquer momento", disse por telefone à emissora uma pessoa identificada apenas como Ezeldina, moradora de Zawiya, agora a cidade mais próxima a Trípoli controlada por forças da oposição.


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