Kadafi reitera proposta de referendo para encerrar conflito

Segundo porta-voz, governo propõe diálogo nacional e eleição supervisionada pela ONU e pela União Africana

iG São Paulo |

O governo líbio renovou no domingo uma oferta de promover um referendo para decidir se Muamar Kadafi deve permanecer no poder - uma proposta que provavelmente não interessará aos adversários de Kadafi, mas que pode ampliar as divergências no interior da Otan.

AFP
Rebelde líbio passa por destroços de jato MIG-23 em Benghazi
Estão crescendo as pressões de alguns setores no interior da aliança para buscar uma solução política, três meses após o início de uma campanha militar que está custando bilhões de dólares aos membros da Otan, já provocou mortes de civis e, até agora, não conseguiu afastar Kadafi do poder.

Moussa Ibrahim, um porta-voz da administração de Kadafi disse a repórteres em Trípoli que o governo está propondo um período de diálogo nacional e uma eleição supervisionada pelas Nações Unidas e a União Africana. "Se o povo líbio decidir que Kadafi deve partir, ele partirá. Se o povo decidir que ele deve permanecer, ele permanecerá," disse Ibrahim.

Mas o porta-voz disse que, aconteça o que acontecer, Kadafi - que comanda o país produtor de petróleo desde que chegou ao poder em um golpe militar em 1969 - não irá para o exílio. "Kadafi não vai para lugar algum, ele vai permanecer neste país," disse Ibrahim.

Em comunicado, membros da União Africana disseram neste domingo que o líder líbio não participará das negociações mediadas pelo grupo africano. Não ficou claro, no entanto, se os diálogos contarão com alguym representante do governo de Kadafi ou mesmo quando estão previstas acontecer.

A ideia de promover uma eleição foi levantada pela primeira vez no início deste mês por um dos filhos de Gaddafi, Saif al-Islam. A proposta perdeu impulso quando o primeiro-ministro líbio, Al-Baghdadi Ali Al-Mahmoudi, pareceu tê-la rejeitado. Na época, ela também foi rejeitada pelos rebeldes anti-Kadafi no leste da Líbia e por Washington.

Muitos analistas dizem que Kadafi e sua família não têm intenção alguma de abrir mão do poder. Em lugar disso, afirmam, o líder líbio está acenando com a possibilidade de um acordo, tendo como intuito tentar ampliar as divisões que vêm emergindo na aliança que o combate.

Prisão

Neste domingo, o promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, disse que os crimes de guerra e contra a humanidade na Líbia serão interrompidos apenas quando Kadafi for preso. "Os crimes continuam hoje na Líbia. Para parar com os crimes e proteger os civis na Líbia, Kadafi deve ser preso", declarou o procurador em comunicado.

Na segunda-feira, juízes do TPI devem dizer se apresentarão ou não mandados de prisão contra o líder líbio, seu filho Seif al-Islam e o chefe dos serviços de inteligência líbios, Abdallah Al-Senussi. O procurador havia feito uma solicitação nesse sentido no dia 16 de maio.

*Com Reuters e AFP

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