Kadafi: Intervenção militar deixaria milhares de mortos na Líbia

Líder afirma que não há oposição dentro do país e diz estar disposto a receber inspetores internacionais

iG São Paulo |

AFP
Kadafi é visto antes de pronunciamento em Trípoli
O presidente da Líbia, Muamar Kadafi, afirmou nesta quarta-feira que milhares de líbios morrerão se os Estados Unidos, a Otan ou qualquer potência internacional fizer uma intervenção militar no país. "Eles querem que a gente se torne escravo outra vez, como éramos escravos dos italianos?", disse, referindo-se à colonização italiana. "Nunca vamos aceitar isso. Entraremos numa guerra sangrenta e milhares e milhares de líbios morrerão."

Em discurso para partidários em Trípoli, o líder afirmou estar disposto a receber inspetores internacionais para avaliar a situação no país. ''Nós pedimos ao mundo e às Nações Unidas que enviem missões de reconhecimento para descobrir onde as pessoas que morreram foram mortas, se foram mortas nas ruas ou em frente a estações de polícia ou em quartéis, se eram policiais e soldados ou apenas civis", afirmou.

"Elas descobrirão que alguns deles eram civis que atacaram estações policiais e quartéis. E que policiais e soldados defenderam as suas posições", completou.

Kadafi afirmou que não há oposição a seu regime dentro do país, reiterando que os protestos e confrontos são responsabilidade de "gangues armadas" e da rede terrorista Al-Qaeda. "Não há oposição na Líbia, a oposição vem do exterior", disse o líder.

O líder, que tomou o poder por meio de um golpe militar, em 1969, voltou a dizer que não exerce um cargo formal. ''Não sou nem presidente e nem primeiro-ministro. Não tenho um cargo ao qual renunciar'', afirmou, acrescentando apenas que tem ''legitimidade revolucionária''.

Segundo Kadafi, os estrangeiros não compreendem as especificidades do modelo político líbio, onde "o poder é exercido pelo povo". ''O povo da Líbia é livre para exercer o poder da maneira que julgar adequado. Kadafi não tem poder algum, vocês sabem. Na Líbia, o poder é exercido pelas massas'', afirmou.

"Nós colocamos nossos dedos nos olhos daqueles que duvidam que a Líbia seja governada por alguém que não seja o povo", disse ele, sob os aplausos de dezenas de pessoas.

O pronunciamento foi interrompido por slogans cantados por seus partidários, que exclamavam: ''Deus, Muamar Kadafi, Líbia e nada mais'' ou ''Kadafi é nosso líder, nunca deixaremos que ele se vá''.

Ao ouvi-los, o coronel comentou: ''Estes slogans, este tipo de grito são novos. É a primeira vez que os escuto. As massas surgiram com tais slogans. Os jovens. Milhares de pessoas estão cantando tais slogans''. Grande parte do leste da Líbia está sob controlde de forças contrárias ao regime. Os ativistas anti-Kadafi fizeram de Benghazi, a segunda maior cidade do país, a sua capital. Mas forças leais ao coronel estão procurando conter o avanço de rebeldes, após terem perdido uma série de regiões estratégicas, no começo da rebelião.

O Alto Comisariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) pediu que sejam enviados centenas de aviões para a região na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, onde milhares de estrangeiros, na maioria de origem egípcia, estão refugiados em acampamentos improvisados.

Com BBC e Reuters

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