Kadafi estaria ferido e pode ter deixado Trípoli, diz Itália

Segundo chanceler italiano, pressão internacional pode ter levado líder a buscar refúgio fora da capital da Líbia

iG São Paulo |

O líder líbio, Muamar Kadafi, provalvelmente foi ferido e pode ter deixado a capital Trípoli, segundo declarou o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini.

AP
Reprodução de televisão líbia mostra líder Muamar Kadafi durante encontro com líderes tribais em Trípoli (11/05/2011)
De acordo com o chanceler, o bisco católico de Trípoli, Giovanni Innocenzo Martinelli, lhe disse que "Kadafi muito provavelmente está fora de Trípoli e provavelmente foi ferido" pelos ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ao jornal italiano Corriere della Sera, Franttini disse que "a pressão internacional pode ter provocado a decisão de Kadafi em buscar refúgio em um lugar seguro".

Também nesta sexta-feira, o promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, anunciou que pedirá na segunda-feira que sejam emitidas ordens de prisão contra "três pessoas que parecem ter a maior responsabilidade" nos crimes contra a humanidade cometidos na Líbia.

"Em 16 de maio de 2011, o escritório do promotor pedirá à câmara preliminar do TPI que emita ordens de captura contra três pessoas que parecem ter a maior responsabilidade nos crimes contra a humanidade cometidos no território líbio desde 15 de fevereiro", afirma um comunicado de Ocampo.

Os nomes das três pessoas não foram revelados."Os juízes podem decidir se aceitam o pedido, se o rejeitam ou se pedem informações adicionais ao escritório (do procurador)", completa a nota.

Luis Moreno Ocampo já havia anunciado a abertura de uma investigação por crimes contra a humanidade na Líbia, centrada em oito pessoas, incluindo o ditador Muamar Kadafi e três de seus filhos.

Ofensiva diplomática

O anúncio foi feito enquanto os líderes do levante líbio tentam ganhar legitimidade internacional com o aumento das visitas ao exterior, após vitórias da rebelião contra as tropas governamentais no campo de batalha.

O chefe da diplomacia da rebelião, Mahmud Jibril, encontra-se nos Estados Unidos para uma visita de vários dias e será recebido nesta sexta-feira na Casa Branca pelo conselheiro do presidente Barack Obama para a Segurança Nacional, Tom Donilon.

Jibril se reuniu na quarta-feira com o presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, John Kerry, que anunciou a preparação de um projeto de lei para permitir o uso pelos rebeldes de alguns bens bloqueados por Kadafi.

Jibril previu a queda do regime de Kadhafi nas próximas semanas e pediu ajuda financeira dos EUA aos rebeldes. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, prometeu ajuda ao povo líbio. Fontes do governo americano indicaram que o auxílio aos insurgentes, em curto prazo, pode superar US$ 150 milhões de dólares.

Também no campo diplomático, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes), Mustafah Abdeljalil, está em Londres, depois de ter passado por Paris e Roma. O primeiro-ministro britânico convidou o CNT a abrir em Londres seu primeiro escritório de representação na Europa, além de ter prometido milhões de libras em equipamentos para a polícia de Benghazi, reduto dos rebeldes no leste da Líbia, e material de comunicação.

Grã-Bretanha, França e Itália já anunciaram considerar o CNT o interlocutor político legítimo da Líbia. A ofensiva diplomática acontece no momento em que os rebeldes, estimulados pelo êxito militar no aeroporto de Misrata (oeste), pretendem avançar até Zlitan, localizada a 200 km ao oeste da capital, Trípoli.

AFP
Rebeldes líbios voltam de operação na cidade de Ajdabiya, na Líbia (12/05)
*Com AFP e Reuters

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