Kadafi está pronto para aceitar cessar-fogo, diz presidente sul-africano

Viagem de Jacob Zuma à Líbia é vista como a última tentativa de solução diplomática para o conflito no país

iG São Paulo |

Após encontro com Muamar Kadafi, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, declarou na segunda-feira que o líder líbio está "pronto" para aceitar o plano da União Africana (UA) para um cessar-fogo na Líbia que inclua a interrupção dos bombardeios da Otan (aliança militar ocidental).

AP
Foto distribuída pelo governo sul-africano mostra o presidente da África do Sul, Jacob Zuma (à esq.), com o líder líbio, Muamar Kadafi, em Trípoli em reunião em 30/05
"Ele (Kadafi) está pronto para implementar o mapa do caminho", disse Zuma, que viajou a Trípoli , capital da Líbia, na tentativa de resolver o impasse no país norte-africano. A viagem foi vista por muitos comentaristas como a última tentativa de solução diplomática para o conflito líbio.

Nesta terça-feira, a ministra das Relações Exteriores da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, pediu um cessar-fogo imediato na Líbia. "De acordo com a decisão da UA sobre a Líbia, reiteramos nosso pedido de um cessar-fogo imediato e verificável para estimular as partes em guerra a iniciar um diálogo para uma transição democrática", disse Nkoana-Mashabane no Parlamento na Cidade do Cabo.

Apesar dos apelos, não há nenhum indicativo de que Kadafi tenha a intenção de deixar o poder - o que é exigido pela Otan e pelos rebeldes que lutam contra o regime líbio.

Durante o encontro entre Zuma e Kadafi, a agência noticiosa estatal líbia Jana disse que o regime exige uma reunião com o Conselho de Segurança da ONU para revisar "os mecanismos para aplicar as resoluções na Líbia" (os ataques da Otan ocorrem com consentimento do CS/ONU, sob justificativa de impedir que as tropas de Kadafi ataquem os civis líbios).

Zuma, por sua vez, dissera, ainda antes do encontro com Kadafi, que um dos objetivos de sua visita, além de obter um cessar-fogo, era permitir o trânsito de ajuda humanitária na Líbia. Ele negou que suas conversas focariam uma eventual saída de Kadafi do poder. Segundo a BBC, apesar da relação pessoal entre Kadafi e Zuma, as perspectivas de que a visita do sul-africano derive em um acordo de paz ainda parecem remotas.

O "mapa do caminho" feito pela UA existe desde fevereiro e prevê um cessar-fogo imediato, mas foi rejeitado pelo Conselho Nacional de Transição, órgão criado pelos rebeldes, e pela Otan, por não prever a saída de Kadafi do poder. A visita de Zuma ocorreu no mesmo dia que oito militares de alta patente desertaram o regime de Kadafi.

Em coletiva em Roma, eles acusaram as tropas pró-regime de "genocidas" e pediram que outros soldados e policiais se unam à causa dos rebeldes. Poucas horas depois da partida do sul-africano de Trípoli, há relatos de que a Otan tenha retomado os bombardeios contra as tropas de Kadafi no país.

Condenação

No domingo, o partido de Zuma condenou as ações militares da Otan contra a Líbia. "Nos juntamos ao resto do continente e a todos os amantes da paz no mundo na condenação dos contínuos bombardeios da Líbia por parte das forças ocidentais", disse o Congresso Nacional Africano (CNA) em um comunicado, após encontro de dois dias.

A África do Sul votou a favor da resolução da ONU que autorizava o uso de força para a proteção de civis líbios, mas desde então tem se mostrado crítica à campanha militar da Otan. A pressão internacional sobre Kadafi vem aumentando.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse no sábado que o líder líbio não tem mais o direito de governar o país. França e Grã-Bretanha disseram nos últimos dias que vão usar equipamentos mais sofisticados nas operações militares no país norte-africano.

*Com BBC e AFP

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