Kadafi está escondido no sul da Líbia, diz premiê

O líder deposto mandou uma mensagem em áudio pedindo aos líbios que tomem as ruas contra Conselho Nacional de Transição

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Líbia afirmou nesta quinta-feira que o líder deposto Muamar Kadafi está escondido no sul do país sob a proteção de tribos. Segundo Mahmoud Jibril, ele ocasionalmente cruza a fronteira com o Níger, e as forças do governo interino esperam ter seu paradeiro exato em breve.

AP
Forças do Conselho Nacional de Transição lutam contra os partidários de Kadafi em Sirte, na Líbia

Kadafi está foragido desde que o Conselho Nacional de Transição (CNT) assumiu o controle da capital, Trípoli, em agosto, e tem escapado da captura, apesar das várias buscas por sua localização. "A informação mais recente é que ele está no sul da Líbia sob a proteção da tribo Tuareg, e de tempos em tempos cruza para o Níger", afirmou Jibril à Reuters durante visita a Bagdá.

"Segurança é a coisa mais importante para ele. Especificar onde ele está exatamente mesmo que por dez horas é muito difícil. Espero que nos próximos dias possamos confirmar onde ele está localizado com exatidão", completou.

Jibril disse que estava no Iraque para discutir o restabelecimento das relações diplomáticas entre Trípoli e Bagdá, e pedir ajuda a seu companheiro de Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no desenvolvimento do petróleo. O CNT elaborou uma perseguição a Kadafi que se concentra no deserto do Saara, perto das fronteiras com o Níger e a Argélia.

De acordo com a Reuters, Mutassim, um dos filhos de Kadafi, fugiu de Sirte, cidade natal do ex-líder líbio. As informações, obtidas pelo canal de TV Al-Jazeera, afirmam que ele deixou a cidade no domingo. "Nós prendemos um dos mercenários (de Kadafi) e ele confirmou isso", garantiu o porta-voz Ahmed Bani ao canal de notícias.

Mensagem

Kadafi, que há duas semanas não se pronunciava, deixou uma mensagem em um áudio transmitido pela TV síria Al-Rai. O líder deposto pediu aos povo líbio que tome as ruas e faça uma campanha de desobediência civil contra o novo governo do país nesta quinta.

O ex-líder afirmou que o CNT não tem legitimidade, porque não foi nomeado ou escolhido pela população. Ele pediu aos seus compatriotas para sair "em uma nova marcha em todas as cidades, aldeias e oásis". "Sejam corajosos, levantem-se, tomem as ruas", afirmou. "Agitem a bandeira verde no céu. As condições na Líbia estão insuportáveis".

Cruz Vermelha

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) entregou suprimentos médicos e outros produtos aos civis em Sirte, que se encontra em condições precárias. Dibeh Fakhr, porta-voz do CICV, afirmou que dois caminhões entraram na cidade e distribuiram, leite em pó, kits de higiente, fraldas e água potável.

Essa foi a terceira vez que o CICV entrou na cidade da costa mediterrânea desde sábado, mas pela primeira vez, os voluntários conseguiram chegar ao hospital. Sirte, situada no sul da Líbia, continua sendo palco de batalhas entre partidários de Kadafi e forças do CNT.

Centenas de famílias estão deixando a cidade para escapar da violência e centenas montaram um campo de refugiados nas cercanias de Sirte, o que aumenta a preocupação quanto a uma crise humanitária. As forças revolucionárias disseram ter adiado as batalhas mais pesadas para dar um tempo maior para os civis deixarem o local. "Sirte está virando uma cidade fantasma", afirmou Salin Omar, um residente, que passou por um posto de vistoria do CNT.

A Cruz Vermelha chegou ao hospital Ibn Sina na manhã desta quinta-feira, depois de ter a certeza, dos dois lados do conflito, que a passagem seria segura. Eles retiraram três pacientes que estavam gravemente feridos, incluindo uma menina de nove anos.

"Há somente três médicos dentro do hospital - um anestesista, um cirurgião e um ortopedista - e alguns estudantes de medicina estão tentado ajudar", relatou a porta-voz.

Ela não conseguiu precisar o número de civis que ainda permanecem em Sirte. Ela disse que a maioria das pessoas que deixam a cidade o fazem pelo leste e que 18 mil civis que estão vivendo nos campos fora de Sirte receberam ajuda do CICV.

Com AP e Reuters

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