Kadafi está disposto a promover eleições e deixar o poder, diz filho de líder líbio

Proposta apresentada por Seif al-Islam, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, é rejeitada pelos EUA e rebeldes líbios

iG São Paulo |

O líder líbio, Muamar Kadafi, está disposto a promover eleições e deixar o poder se for derrotado, disse um de seus filhos nesta quinta-feira. A oferta tem poucas chances de aplacar seus adversários, mas pode testar a união da aliança ocidental que procura forçá-lo a deixar o poder.

"As eleições poderiam acontecer em três meses. No máximo até o final do ano, e a garantia de transparência seria a presença de observadores internacionais", disse Seif al-Islam, um dos filhos de Kadafi, ao jornal italiano Corriere della Sera.

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Seif al-Islam, filho de Muamar Kadafi, concedeu entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera (foto de arquivo)

Ele disse que seu pai, que chegou ao poder no mesmo ano em que o homem pisou na Lua, estaria disposto a deixar o poder caso perdesse a eleição, mas não chegaria a se exilar.

"Não tenho dúvidas de que a maioria avassaladora dos líbios está do lado do meu pai e vê os rebeldes como fundamentalistas islâmicos fanáticos, terroristas instigados desde fora do país", disse Seif al-Islam.

Os rebeldes líbios disseram que não confiam em um processo político organizado com Kadafi no poder. A liderança rebelde na base de Benghazi rejeitou a oferta apresentada pelo filho de Kadafi dizendo que ele estava "desperdiçando o nosso tempo."

"Seif al-Islam não está em posição para oferecer eleições. A Líbia terá eleições livres e democráticas, mas a família de Kadafi não terá nenhum papel neste processo", disse Jalal el-Gallal, um porta-voz rebelde. "Essas pessoas são criminosas com enorme desrespeito pela vida humana. Elas precisam retirar as tropas das nossas cidades, permitir que a ajuda humanitária chegue e enfrentarão a Justiça pelos crimes que cometeram. Só aí é que podemos falar em eleições."

Um porta-voz do Departamento de Estado americano também rejeitou a proposta, dizendo que "é um pouco tarde para isso." Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, que lideram os ataques aéreos contra as forças de Kadafi, confirmaram que não cessarão os bombardeios até que o líder líbio renuncie.

Enviado russo

A oferta foi feita no momento em que Mikhail Margelov, mediador russo que tenta colocar fim ao conflito, chegava a Trípoli para discussões com o governo de Kadafi. O Kremlin já declarou estar disposto a ajudar a negociar a saída do líder líbio.

Autoridades líbias levaram o enviado russo e jornalistas estrangeiros a um café no centro de Trípoli que disseram ter sido destruído por um ataque da Otan durante a noite.

A possibilidade anunciada pelo filho de Kadafi, feita após uma série de concessões oferecidas pelo líder líbio e que potências ocidentais tacharam de meros artifícios, foi formulada em um momento em que cresce a frustração entre alguns membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) com o progresso da campanha militar.

Quatro meses depois do início do conflito na Líbia, os avanços dos rebeldes em direção a Trípoli são lentos, enquanto semanas de ataques aéreos da Otan que bombardearam o complexo residencial de Kadafi e outros alvos ainda não conseguiram colocar fim aos 41 anos de governo de Kadafi no país petrolífero do norte da África.

*Com Reuters

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